Policial Militar pede socorro a entidades
Silvana Leão
De Londrina
A falta de motivação entre os policiais militares pode estar gerando a redução no empenho do combate à criminalidade. A denúncia foi feita por um soldado do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, que prefere não ter seu nome divulgado. Segundo ele, o comportamento de fingir que não está vendo é gerado não por falta de efetivo policial nas ruas, mas por falta de motivação em arriscar-se numa operação perigosa.
O soldado também afirmou que desde que a Folha começou a publicar a série de reportagens sobre os problemas internos da Polícia Militar, começaram as retaliações dentro do quartel. A carga de trabalho aumentou, estamos sendo obrigados a fazer horas extras e, o que é pior, sem esperança de recebermos por isso. Está insuportável, desabafa o policial, revelando que a categoria, em conjunto com outras regiões do Estado, já está ameaçando partir para o aquartelamento como forma de pressão. Se continuar assim, vamos parar de ir para as ruas.
Além de denunciar, o telefonema do soldado teve como objetivo fazer um apelo. Ele, em nome de todos os colegas que enfrentam o mesmo tipo de problema, pede a ajuda de órgãos que possam socorrer, inclusive juridicamente, a categoria, para que ela possa fazer valer os seus direitos. Não temos ninguém que nos defenda, já que os comandos não admitem os problemas e, em vez de serem nossos aliados partem para retaliações.
Segundo o coordenador-geral do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, Carlos Roberto Scalassara, todas as denúncias publicadas até agora têm muito a ver com cidadania e o CDH pode dar apoio à categoria. A forma como o policial é tratado dentro do quartel repercute na sua forma de agir junto à comunidade. Se a pessoa é respeitada, ela tende a respeitar. Se não é, isto também tende a recair sobre o cidadão.
Porém Scalassara lembrou que é preciso saber exatamente o que está acontecendo para que o centro possa atuar nas causas. Para o CDH, e também para o Movimento Londrina Exige o Fim da Violência, isto é muito importante. O direito à integridade física é básico, e se os militares estão de fato recebendo este tipo de tratamento, com certeza sua integridade está sendo comprometida.
A coordenadora da Comissão de Justiça e Segurança do CDH, Regiane Oliveira Andreola, informou que está programada uma reunião para a próxima segunda-feira, onde o assunto será discutido para ver quais providências podem ser tomadas. A questão é muito delicada e precisamos dar um encaminhamento proveitoso para o assunto, para que as medidas não se restrinjam a ofícios.
Ela disse que formalmente o centro não recebeu nenhum tipo de denúncia, apenas contatos por telefone com pessoas que não se identificaram e as matérias publicadas no jornal. A advogada acha importante que os policiais levem os problemas até a sociedade, seja através do CDH ou de qualquer outra entidade.
O presidente do Conselho de Segurança, Newton Moratto, afirmou que uma das funções da entidade é intermediar este tipo de crise, e que se for procurado pelos policiais, vai procurar o comando para esclarecer o que está acontecendo. Segundo ele, o conselho se compromete a preservar a fonte. Já o presidente da subseção de Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lauro Zanetti, explicou que o que pode fazer, por enquanto, é levar o assunto para discussão junto à diretoria da Ordem. O comando do 5º BPM foi procurado pela Folha, mas a ligação não foi retornada.





