Policial militar é morto em Londrina
Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
O policial militar Marcos Ferreira Siliane, de 28 anos, foi assassinado às 23h de segunda-feira, no Bar do Zequinha, do conjunto Vivi Xavier, em Londrina. Ele recebeu três tiros à queima roupa que acertaram o abdômen, tórax esquerdo e o punho. Na ocasião, o também policial Josemar Marcos da Silva, de 23 anos, recebeu um tiro no abdômen, mas passa bem na Santa Casa.
Segundo o proprietário do bar, José Diniz Filho, os autores dos disparos foram dois rapazes que estavam no local acompanhados de uma moça. Filho disse que não presenciou o fato porque tudo aconteceu na calçada do estabelecimento. Foi muito rápido. Após os disparos corremos para ver o que havia acontecido e encontramos os dois caídos no chão. Não sei se brigaram. Quando chegamos os assassinos já estavam longe.
O comerciante disse que os dois policiais estavam de folga e jogavam baralho como era de costume. Siliane era solteiro e morava com a família próximo ao estabelecimento. Silva é casado e, naquele momento, visitava a sogra. Filho afirmou que os policiais eram seus fregueses há mais de oito anos e que nunca ouviu dizer que algum deles estivesse envolvido em confusão.
Estamos arrasados com o crime. Faz 20 anos que vivo aqui e nunca havia presenciado um homicídio. Meu bar já foi assaltado quatro vezes e há muito tempo pedimos reforço na segurança desta área, frisou Filho. De acordo com o tenente Walter João Marques Luiz, os suspeitos do assassinato são conhecidos como Japonês Preto e Neizinho. Os dois têm passagens pela polícia por roubo e tráfico de drogas. A moça que estava com eles chama-se Gisele e é namorada de Neizinho.
No final da manhã de ontem, a Polícia Militar prendeu Roni Peterson de Bastos no conjunto Hilda Mandarino II durante uma operação em busca de Japonês Preto. Bastos é fugitivo da cadeia pública de Ibiporã e foi encontrado escondido num dos barracos do bairro. Segundo o tenente, ele é acusado de roubar postos de gasolina e lanchonetes em Londrina. Além disso, Bastos é suspeito de cumplicidade no homicídio.
A família dos policiais baleados acredita que o crime seja vingança. A namorada de Siliane, Gisele Fernandes, e o irmão dele, que não quis se identificar, afirmam que o policial não tinha rixas. Nos últimos dias ele estava muito feliz. Há muito tempo ele deixou de andar armado fora do trabalho. Estávamos pensando em nos casar ainda este ano, disse Gisele, que está grávida.
No 5º Batalhão de Polícia Militar o clima é de tristeza. O coronel Máximo Fim disse que todos estão abalados com o crime e que não vai sossegar enquanto não encontrar os culpados. O caso está sendo investigado pelo 5º Distrito Policial e tem 30 dias para ser concluído. Ontem, o delegado Jorge Barbosa interrogou Bastos que está preso ali. Siliane foi velado na capela do Cemitério Jardim da Saudade, onde foi sepultado às 17h de ontem.
Para diminuir o índice de violência na cidade a Polícia Militar está realizando blitze em diferentes pontos de Londrina. Vamos trabalhar dia e noite. Nossa intenção é coibir qualquer transgressão à lei, garantiu o coronel Fim.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Newton Carlos Moratto, atribui aos políticos a insegurança que vivemos. Para ele, o prefeito Antonio Belinati e os deputados não lutam por Londrina porque têm medo de se indispor com o governador Jaime Lerner. São incompetentes e omissos, defendem apenas os interesses pessoais.
Como coordenador do movimento Londrina exige o fim da violência o Conselho de Segurança pretende levar ao secretário estadual de Segurança Pública, José Tavares, as reivindicações da cidade. Na opinião de Moratto, Londrina precisa equipar melhor suas polícias, aumentar o efetivo e concluir a cadeia pública. Sem isso, nenhuma medida terá resultado satisfatório, afirmou o presidente do Conselho de Segurança que espera receber a visita do secretário na próxima semana.Vítima foi atingida por três tiros enquanto jogava cartas com outro PM, que também foi baleado. A polícia já tem dois suspeitos do crime
Mário Cesar e Paulo WolgangCOMOÇÃO Enterro do policial reuniu familiares e colegas da corporação. No detalhe, à esquerda, Siliane e à direita, Silva





