Policial matou a mulher com arma da PM
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domingo, 18 de novembro de 2001
Carolina Avansini<br>De Londrina 
O policial militar Ademir Galera confessou que assassinou a ex-esposa Sueli Castorina Vascieki, 32, utilizando uma arma pertencente ao 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM) de Londrina. Ele se apresentou ontem à 10 Subdivisão Policial (10 SDP) acompanhado pelo capitão Osvaldir Budni, seu superior na PM. No depoimento ao delegado Jurandir Gonçalves André, Galera afirmou que matou Sueli sob violenta emoção, pois era constantemente ofendido pela vítima. O crime aconteceu no dia 15 de novembro, às 2h30 da madrugada, em frente à casa de shows Som Brasil, no centro de Londrina. Sueli foi assassinada com três tiros no peito.
''Nós estávamos separados há três meses mas ela dizia que gostava de mim, me dava falsas esperanças. Eu lhe dava dinheiro para pagar o aluguel e ela gastava em bailes e bebida. Quando atirei, estava cego'', afirmou Ademir. Segundo familiares da vítima, o policial espancava Sueli frequentemente e até a ameaçava de morte. Ela inclusive registrou vários boletins de ocorrência na 10 SDP e pediu proteção à PM, mas não conseguiu evitar a própria morte.
Chorando, Galera garantiu à Folha que está muito arrependido do crime. ''Matei uma pessoa que amava muito, não sei como será minha vida agora. Vou sentir muita falta dela, se fosse possível, casaria com a Sueli lá em cima de novo'', disse o policial. Ele tem um filho de um ano com a ex-esposa mas não sabe com quem está a criança. ''Espero recuperar a guarda dele.''
Apesar de ser policial e ter cometido o crime utilizando uma arma da PM, Ademir Galera vai ser julgado pela justiça comum. De acordo com o capitão Budni, o Código Penal Militar considera crime utilizar a arma fora de serviço, mas há uma norma complementar que revoga essa disposição. Como não foi preso em flagrante, Ademir responderá o processo em liberdade. Até a conclusão do inquérito, continuará cumprindo expediente na PM, mas será afastado das funções operacionais. Após o julgamento, se for condenado, será punido e pode até ser expulso. ''Caso ele seja absolvido, porém, volta ao trabalho normalmente'', esclareceu o capitão.
O advogado Vilson Donizete Galvão, que defende o acusado, afirmou que vai esperar o cumprimento do inquérito para estabelecer como fará a defesa. ''Vou partir do pressuposto que foi um crime passional mediante provocação da vítima'', declarou.


