Policial faz ameaça aos manifestantes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de maio de 1997
Da Redação 
O momento mais crítico da manifestação de ontem na zona norte aconteceu por volta das 15h30. O investigador Enéias (a polícia não informou o nome inteiro) furou o bloqueio na avenida Winston Churchill, ameaçando os manifestantes com uma arma. Ele dirigia um Monza azul escuro, placa BIO 3582. Desceu pela rua Lindalva Silva, que margeia o Morro da Formiga, e entrou pela contramão na pista da avenida Winston Churchill, deparando com os manifestantes, que cercaram o carro.
Já sobre o canteiro central da avenida, Enéias colocou a mão na arma, começou a retirá-la do coldre e fez gestos de ameaça, mas sem nada dizer. Ao perceber que o fotógrafo da Folha se aproximava, o policial guardou imediatamente a arma no interior do automóvel. Mesmo assim ele voltou a ameaçar os manifestantes. Estou de serviço. Se não saírem da frente eu passo por cima. Fiquem aí para ver..., disse acelerando o carro e tomando a pista em direção ao centro.
Cercando o carro dirigido por Enéias havia praticamente só mulheres e crianças, que poderiam ter sido atingidas pelo veículo se não tivessem se jogado de lado, quando o motorista acelerou. A Folha apurou que a placa do automóvel é fria; pertence a uma Parati vermelha de São Paulo, cuja proprietária é Alaíde dos Santos.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, diz que o investigador trabalha no 3º Distrito Policial e está de licença médica. Naquele momento ele era um civil. Situação que não justifica a atitude de ameaçar a população com uma arma. O delegado explicou que, mesmo estando em serviço, o investigador deveria ter se identificado e explicado a necessidade de continuar no percurso. Nunca poderia ter sacado da arma nessa situação. Leonyl se comprometeu a investigar as denúncias.
(Célia Baroni)


