Milton DóriaEm massaCorredor no 3º DP: presos foram liberados para falar ao telefone Uma falha do investigador civil que estava de plantão provocou uma fuga em massa no 3º Distrito Policial, jardim Bandeirantes (zona oeste de Londrina). A fuga aconteceu anteontem à noite, por volta das 21 horas. Dos 67 presos, conseguiram escapar 42, sendo que 14 haviam sido recapturados até o início da noite de ontem. Os detentos levaram várias armas, inclusive uma metralhadora. O investigador Antonio Amaro Nascimento foi autuado em flagrante por facilitação de fuga e está detido.
‘‘Só não fugiu quem não quis’’, afirma o delegado do 3º DP, Jurandir Gonçalves André. Ele conta que o investigador foi dominado pelos presos após ter liberado dois deles para telefonar. ‘‘Fora do expediente normal, é proibido tirar presos das celas. Mesmo em situação de emergência, como medicar um detento, o policial deve chamar o delegado de plantão para que uma equipe vá ao distrito’’, observa. Ele não quis dizer quem são os dois presos, afirmando que os nomes ainda estão sendo apurados.
Milton DóriaPortas abertasDelegado Jurandir Gonçalves André: ‘Só não fugiu quem não quis’
O delegado Jurandir informa que, após prender o investigador, os presos foram até a carceragem, dominaram o policial militar que estava de plantão e levaram vários armamentos - uma metralhadora com dois pentes (40 cartuchos em cada um), uma cartucheira calibre 12 mm, uma carabina Puma e três revólveres calibre 38. Foram recuperadas a cartucheira e a carabina.
Logo depois que saíram da delegacia, os presos roubaram vários veículos, entre eles um Passat, um Fusca, uma moto e até uma bicicleta. Os dois carros, segundo Jurandir André, foram recuperados. O delegado explica que um dos presos que resolveu não fugir libertou os policiais. ‘‘Caso contrário, iríamos saber da fuga somente hoje (ontem) pela manhã e os presos não seriam recapturados.’’
Os policiais fizeram buscas até de madrugada e conseguiram recapturar 14 detentos. Entre eles, está João Oliveira Gonçalves, 53 anos, deficiente físico (não tem as pernas), que conseguiu fugir porque outros presos o colocaram em uma cadeira de rodas e a arrastaram para fora da delegacia. Ele foi encontrado pelos policiais nas proximidades do distrito. João Gonçalves foi preso no início deste mês, acusado de porte de drogas - estava com 50 gramas de maconha e 5 gramas de cocaína.
Entre os presos que ainda estão soltos está Evaldo Melo dos Reis. Ele é o assassino confesso do PM Marcos da Silva Freire, morto em maio de 97, durante assalto ao posto avançado do Banestado, na Universidade Estadual de Londrina (UEL). ‘‘Há informações de que ele está com a metralhadora’’, revela o delegado.
Outro detento de alta periculosidade que ainda não foi recapturado é o latrocida Roserval Teixeira Junior, condenado a 22 anos de prisão por ter matado e roubado um taxista. Segundo o delegado, o latrocida havia sido transferido na última sexta-feira, do 5º DP (zona norte).
Jurandir Gonçalves André suspeita que a fuga já estava sendo articulada há alguns dias. Segundo ele, na sexta-feira, havia informações que uma fuga iria ocorrer para libertar dois detentos, um conhecido como Catarina e Luis Carlos Ferreira. Como medida preventiva, ambos foram transferidos para outros distritos, ainda na sexta-feira.

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