Autoria de assassinato de um informante da polícia é atribuída a cinco policiais, incluindo o delegado chefe da 6ª SDP; denunciante já acusou outros policiais em depoimentos à CPI do Narcotráfico
O investigador exonerado da Polícia Civil, Paulo Roberto de Oliveira, encaminhou ontem aos representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Foz do Iguaçu, uma denúncia de homicídio apresentada ao Ministério Público contra cinco policiais da cidade. Entre eles está o atual delegado-chefe da 6ª Subdivisão Policial, Luiz Gilmar da Silva, que desconsiderou as acusações de ‘‘um homem afastado da corporação por extorsão e homicídio’’.
Oliveira estava acompanhado por familiares de Otávio Aparecido de Oliveira dos Santos, tido como informante da polícia de Foz e morto em fevereiro do ano passado. Na época, o corpo foi encontrado com seis tiros, diversas escoriações e mãos amarradas, em um matagal próximo a Santa Terezinha de Itaipu (25 quilômetros a nordeste de Foz). Até hoje, não se sabe a autoria do assassinato.
Mesmo sem apresentar qualquer documentação adicional sobre a suposta investigação realizada por ele (junto à denúncia, foi anexada apenas cópia do laudo expedido na época), o ex-policial acusa cinco policiais de terem torturado e assassinado o rapaz. ‘‘Otávio foi morto porque era suspeito de ter participado do roubo à agência do Banestado próxima à Ponte da Amizade (fronteira com o Paraguai). Os agentes queriam achacar a vítima e acabaram exagerando’’, disse Oliveira, que já havia feito outras denúncias contra policiais e delegados de diversas cidades do Paraná na CPI do Narcotráfico.
O delegado Luiz Gilmar da Silva satirizou a situação. ‘‘Eu acabei com os ‘bate-paus’ de Foz, mas não desse jeito’’. Silva disse que nunca conheceu Otávio e que a denúncia ‘‘é tão infundada quanto outras apresentadas nos últimos anos’’. ‘‘Oliveira foi afastado da Polícia Civil sob acusações de extorsão e homicídio de duas pessoas em Foz, inclusive um menor. O Ministério Público também precisa investigar estes casos’’, comentou.
A denúncia foi encaminhada ao promotor de Justiça, Sidney Mainardes, e ao advogado Márcio Rogério de Souza. Segundo os dois, somente a exumação do corpo poderia confirmar a verdadeira causa da morte.

mockup