O policial civil Vanderlei Pereira da Silva, de Faxinal (76 quilômetros ao sul de Apucarana), está preso no 2º Distrito Policial de Londrina acusado de extorquir o comerciante José Aparecido Alves de Souza. A prisão em flagrante ocorreu na tarde da última segunda-feira, em frente ao Departamento de Trânsito (Detran), de Londrina.
O comerciante afirma que o policial exigiu R$ 4 mil para não incluir o nome dele no roubo de uma padaria em que cinco rapazes de Londrina estão envolvidos. ‘‘Ele disse que se eu não pagasse, os meninos iriam apanhar muito’’, explicou Souza, que é dono de um bar na Vila Yara (área central), onde os suspeitos são clientes.
Ele nega participação no roubo à padaria de Faxinal e duvida que os amigos o tenham acusado. ‘‘Para mim, este policial é acostumado a aplicar este tipo de golpe. Sou bem informado e nunca cairia na conversa dele. Vou até o secretário de Segurança Pública do Estado se for preciso para exigir que ele pague pelo que fez’’.
Segundo o delegado José Arnaldo Peron Martins, o policial está sozinho numa cela para não apanhar dos outros detentos. Ele foi flagrado por militares do Grupo Águia no momento em que recebia R$ 450,00 do comerciante. Além desses testemunhos, também pesa contra ele a gravação de dois telefonemas onde é combinada a forma e o prazo para o pagamento. ‘‘Acertamos que ele receberia R$ 1.000,00 na segunda-feira, mais R$ 1.000,00 para depor a favor dos meninos e os R$ 2.000,00 seriam pagos depois’’, disse Souza.
O policial não quis dar entrevista, mas alegou em seu depoimento que os R$ 450,00 referiam-se ao pagamento de uma pistola vendida ao comerciante. O delegado tem 10 dias para concluir o inquérito. ‘‘O advogado dele pode pedir a liberdade provisória e o juiz pode acatar se achar procedente. Se ficar provada a culpa, ele, provavelmente, será expulso da Polícia, além de responder criminalmente pelo ato’’.
Toda essa operação foi intermediada pelo promotor de Justiça Tiago de Oliveira Gerardi que acionou o Grupo Águia. O comerciante afirma ainda que outros dois policiais civis estão envolvidos na extorsão, mas não soube dizer os nomes. ‘‘Acredito que agora meus amigos estarão mais seguros porque os policiais estão com medo’’, disse Souza, que já contratou um advogado para cuidar do caso.

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