Londrina - A Polícia Civil de Londrina e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ouviram ontem um investigador da polícia e um auxiliar de carceragem presos por suspeita de corrupção e concussão. Luiz Carlos Cardoso, policial há 25 anos, e Luciano Romero Melquíades, que trabalha na carceragem da 10ª há mais de dois anos, tiveram a prisão preventiva decretada por suposta extorsão e proteção a produtores e distribuidores de mídia pirata. Cardoso foi preso pelo próprio chefe da 10ª Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, na tarde de quinta-feira.
"A suspeita é de que inicialmente houve extorsão, e depois era cobrado um ‘pedágio’ para dar proteção a produtores e distribuidores de mídia pirata. Essa proteção se daria através de avisos antes das operações policiais", explicou Barroso. Cardoso e Melquíades prestaram depoimento na sede do Gaeco ontem de manhã, e, segundo Barroso, nenhum dos dois confessou o crime.
As prisões têm relação com a prisão, na sexta-feira passada, de Marcos André Alves Ferreira, considerado o maior fabricante de CDs e DVDs piratas do norte do Estado. "Mas não podemos explicitar que relação é essa para não prejudicar as investigações", alegou o promotor Cláudio Esteves. Segundo ele, por enquanto a suspeita é que a atuação era apenas em Londrina, e também não é possível informar se há mais envolvidos, ou quantas e quem seriam as supostas vítimas.
As investigações começaram há três meses, após denúncias de que policiais estariam cobrando propina de pessoas que atuam nesse segmento. Além das conseqüências penais, Cardoso e Melquíades devem sofrer também sanções administrativas. O caso já foi encaminhado para a corregedoria da polícia.
Barroso considerou que o caso envolvendo uma possível corrupção policial foi uma surpresa. "Não apenas surpreende, como eu lamento o desgaste à imagem da instituição. Mas, por outro lado, isso mostra que nós não toleramos esse tipo de comportamento", afirmou.

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