O policial civil Airton Adonsk, 24 anos, - primeiro julgado entre os nove acusados pelo assassinato do estudante Rafael Rodrigo Zanella - foi condenado há 38 anos de prisão em regime fechado. A sentença foi lida pelo juiz que presidiu o júri popular, Luiz Zarpelon, por volta das 4h30 da madrugada de ontem. Adonsk foi considerado culpado por seis votos a um pelos crimes de homicídio qualificado, denunciação caluniosa e por ter particiado da modificação da cena do crime para forjar o flagrante de Zanella - artigo 347 do Código Penal. O policial foi condenado ainda pelo crime de tortura psicológica, previsto na lei 9455/97, aplicada pela primeira vez no Estado. Os advogados de defesa têm prazo de cinco dias para recorrer do resultado, solicitando a realização de novo júri.
O estudante Rafael Rodrigo Zanella, de 20 anos, foi morto com um tiro na cabeça na noite de 28 de maio de 1997, numa suposta abordagem policial, no bairro Santa Felicidade, em Curitiba, onde morava. Os policiais teriam colocado drogas e uma arma no carro da vítima para forjar um flagrante. Na noite do crime, a polícia informou à família de Zanella que o estudante estava armado e que teria resistido à prisão.
Segundo o advogado Júlio Militão da Silva, que atuou como assistente da acusação - em conjunto com o promotor Celso Luiz Peixoto Ribas - a sentença de Adonsk ‘‘é violenta, mas coerente com as provas que constam nos autos.’’ Ele acredita que a condenação do policial não influenciará diretamente o resultado dos júris dos demais acusados pelo crime, mas lembra que as provas apresentadas serão as mesmas. ‘‘A condenação do réu traz segurança para a sociedade, porque mostra que policiais que comentem abusos lamentáveis podem ser punidos’’, disse.
A família de Rafael Zanella - que contestou a versão da polícia desde a noite do crime e que tem lutado para inocentar o filho e incriminar os policiais que participaram da abordagem - ficou muito emocionada com o resultado do julgamento. ‘‘A justiça foi feita. Podemos acreditar que essa condenação marca o início de uma nova era em que policiais e cidadãos saberão que haverá punição em casos desse tipo’’, disse Elizabetha Zanella, mãe de Rafael.
Ela disse que substituiu em sua mente as informações dadas pelos policiais na noite do crime pela declaração do juiz na leitura da sentença. ‘‘Os policiais disseram que mataram meu filho porque ele estava armado e resistiu à prisão’’, lembrou. ‘‘O juiz declarou que Rafael era uma pessoa íntegra, um exemplo para os irmãos mais novos e motivo de orgulho para os pais. Nós precisávamos disso’’, afirmou Elizabetha.
O policial civil Reinaldo Siduovski, que estaria envolvido na abordagem policial em que Zanella foi morto, será o próximo acusado pelo assassinato do estudante a ser julgado. O júri popular está previsto para novembro.

mockup