Policial é acusado de ter armado presos
Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O policial civil Olavo Pires de Matos Filho, 30 anos, foi preso anteontem à noite, acusado de ter entregue aos presos da Cadeia Pública de Foz do Iguaçu uma pistola 9 milímetros semi-automática, que foi utilizada durante a rebelião ocorrida no mesmo dia. A arma teria entrado na cadeia domingo, dentro de um frango congelado, quando o policial estava de plantão.
Durante o motim, o policial Valdemir Neves foi baleado com quatro tiros, e três detentos sofreram ferimentos leves, segundo a polícia. De acordo com o delegado-chefe da 6ª Subdivisão Policial de Foz, Luis Fernando Artigas, a suspeita contra o policial surgiu já durante a rebelião, quando foi observado um furo na camiseta que usava, feito por uma bala.
Ele (policial) mostrou o furo para colegas e delegados, provavelmente com o objetivo de demonstrar que também havia sido atingido. O delegado disse que a desconfiança dos colegas surgiu porque ele não havia subido no pavilhão. A camiseta do policial foi apreendida no próprio local para que posteriormente pudesse passar por perícia.
Segundo o delegado, antes da rebelião havia comentários sobre o plano de alguma ação pelos detentos e por isso foi reforçada a revista dos objetos que eram levados para os presos. O policial Wanderlei disse que o frango não podia entrar e o Olavo teria dito que ele mesmo entregaria ao preso. Artigas disse que está sendo investigado para qual detento a arma foi entregue.
De acordo com o delegado, as suspeitas contra o policial foram reforçadas pelos presos que testemunharam a ação. Os detentos teriam informado que há algum tempo o policial já havia oferecido uma arma em troca de pagamento.
Um preso que possui um imóvel se propôs a hipotecá-lo por R$ 15 mil, que depois seriam entregues ao policial, disse o delegado. A camiseta e a arma estão sendo enviadas para o Instituto de Criminalística de Curitiba para que seja feita a perícia. A polícia negou a existência de outras duas armas, como havia sido divulgado na hora da rebelião.
O delegado pediu urgência, urgentíssima na emissão do laudo para que possa confirmar o flagrante contra Olavo Matos Filho. Enquanto aguardava transferência para uma cela especial em Curitiba, ele estava preso em uma cela da Polícia Federal.
O policial vai responder a processo administrativo, que prevê a expulsão, e criminal. O delegado ainda não sabe em que crime Matos Filho será enquadrado. Uma das possibilidades é por tentativa de homicídio, em consequência do outro policial ferido. Quando ele entregou aquela arma para os presos e passou para o outro lado, ele se tornou bandido.
Baleado com quatro tiros, o policial Valdemir Neves continua internado na Santa Casa da cidade e respira com o auxílio de aparelhos. Por aproximadamente duas horas e meia, presos e policiais trocaram tiros durante a rebelião ocorrida anteontem na Cadeia Pública.
A superlotação foi apontada como a principal causa da rebelião. A capacidade da cadeia é para 160 presos e no dia do motim estava com 402, dos quais 160 condenados. Após a rebelião, pelo menos 15 alvarás de soltura foram expedidos pelo juiz corregedor e 46 presos foram transferidos.





