Policial é acusado de tentar extorquir
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Osmani Costa 
A vendedora autônoma Tereza Mendonça, 38 anos, deu entrada ontem com uma representação criminal na 10ª Divisão Policial de Londrina - através do advogado Luiz Gaya -, contra o investigador Luis Antonio Flausino e outros dois homens, supostamente também policiais civis. Na representação, ela acusa os três por invasão de domicílio, lesões corporais e tentativa de extorsão.
Eles entraram correndo na minha casa, que estava com a porta aberta, por volta das 22h30. Com armas nas mãos, eles gritavam que queriam saber onde estavam as drogas. Foram revirando a casa, jogando tudo no chão, e empurrando quem encontravam pela frente, contou Tereza Mendonça, mostrando o hematoma na orelha direita, que teria sido provocado pelo cano de um revólver. Um que se identificou apenas como o policial Luiz me empurrou contra a parede, me derrubou no chão e pisou na minha barriga. Depois, meu genro o reconheceu como sendo o investigador Luiz Antonio Flausino.
Segundo a denunciante, inicialmente ela pensou que se tratasse de um assalto. Mas logo eles passaram a querer fazer um acerto financeiro, porque não acharam as drogas que disseram estar procurando. O tal Luiz me levou sozinha para um quarto e pediu R$ 5 mil. Eu disse que não tinha o dinheiro, mas que não daria mesmo que o tivesse. Ele então ameaçou matar a mim e minhas filhas e neto, acusa Tereza Mendonça.
De acordo com ela, os três homens ficaram cerca de 45 minutos na sua casa. Só foram embora depois de acertarem um encontro para a meia noite de anteontem, em frente a um supermercado próximo à casa dela, na zona sul da cidade. Era para eu levar R$ 1 mil para eles. Os outros R$ 4 mil, poderia pagar em quatro dias. Eu peguei os meus familiares, procurei o advogado Gaya e fui até a delegacia registrar a queixa.
No momento da invasão, a vendedora estava na sua casa com a filha Luciana, de 16 anos, o genro João Batista Rodrigues, e o neto Gabriel, de 3 anos. Fiquei e ainda estou apavorada com a ameaça de morte contra meus familiares, diz Tereza Mendonça, que tem outra filha de 6 anos, e é casada com Sidnei de Oliveira Timóteo, que passa a semana trabalhando em uma propriedade rural em Tamarana (65 km ao sul de Londrina). Há cerca de seis anos, ele - que é irmão de um traficante morto vítima de Aids há três anos - foi indiciado por uso de substâncias tóxicas. Ela nunca teve passagem pela polícia.
O advogado Gaya comenta estranhar uma coincidência: o investigador acusado por sua cliente, Luiz Antonio Flausino, trabalha na Delegacia de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), de onde veio para cobrir o plantão noturno de anteontem do delegado Edson Casagrande. Os dois trabalharam juntos em Londrina até o final do ano passado. O delegado-chefe da 10ª Divisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, afirmou que abrirá inquérito para apurar a denúncia e as responsabilidades de Flausino e dos outros dois envolvidos.


