Policial depõe e nega agressão contra bóia-fria
Lúcio Flávio Moura
De Londrina
O policial militar Charles Pires, de 26 anos, negou ontem, em depoimento à Polícia Civil, a agressão ao bóia-fria Otávio Alexandre, 49 anos, de Miraselva (61 km ao norte de Londrina), que continua internado no Hospital Evangélico, em Londrina, com quadro de infecção pós-operatória.
Segundo os familiares, Alexandre, conhecido como Tavico, teria chegado em casa pela manhã do dia 3 com crises de vômitos, diarréia e fortes dores por todo o corpo, dizendo ter sido espancado durante a madrugada. Denunciado pela própria esposa por embriaguez, insultos e ameaças de agressão às filhas, Tavico foi preso na noite do dia 2 por Pires, único plantonista.
Na última sexta-feira, Tavico passou por uma cirurgia por causa do rompimento de uma alça do intestino e para a retirada de ar no peritônio (membrana que protege o órgão), permanecendo na UTI até anteontem. Embora não corra risco de vida, ele continua sofrendo com uma infecção, decorrente do mau funcionamento de vários órgãos que teriam sido afetados pelo suposto espancamento.
Pires, que já foi indiciado, disse ao delegado de Porecatu, Márcio Ferreira Amaro, que ao revistá-lo, pouco antes da prisão, Tavico já apresentava hematomas no abdômen. Ele se defendeu lembrando que o bóia-fria não se queixou da agressão ao delegado de Miraselva, José Maria Francisco Ferreira, que o liberou pela manhã. Ambos disseram que Tavico aparentava estar muito embriagado.
A Polícia Civil deve receber esta semana o resultado do exame de lesões corporais, feito pelo Instituto Médico-Legal. Hoje, o delegado de Porecatu, deverá ouvir seu colega de Miraselva. A PM também está investigando a acusação e já instaurou inquérito interno. Pires continua trabalhando normalmente na sede do 15º Batalhão da Polícia Militar, em Rolândia.





