Policial aposta na competência
Depois da entrada em vigor da lei estadual, Missal (município com 10 mil habitantes a 80 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu, no Extremo-Oeste do Estado) ficou exatamente dois meses e meio sem delegado.
Na última segunda-feira, o ex-policial militar Paulo da Veiga reassumiu o cargo, que havia exercido em períodos intercalados, desde 1985.
Veiga estudou até o segundo grau e nunca prestou concurso para ser delegado. Sei que a Constituição determina que é preciso concurso, mas acho que uma pessoa sem curso superior, mas que tenha competência, pode exercer o cargo de delegado, disse à Folha.
O delegado afirmou que foi reconduzido ao cargo após assinar um termo de compromisso, na Secretaria de Segurança, em Curitiba, pelo qual recobrou a função de assistente de segurança.
No período em que esteve exonerado, Veiga continuou atuando na delegacia, mesmo sem receber salário. Nesse período, ele foi aprovado em concurso para investigador de polícia. Agora aguardo ser chamado para essa função.
O ex-delegado calça-curta de Serranópolis do Iguaçu (município com 4,5 mil habitantes a 95 quilômetros a leste de Foz do Iguaçu), João Tropiani Filho, aposta na influência política para obter a medida que beneficiou seu colega de Missal.
O govenador não vai nos deixar mal, declarou Tropiani Filho à Folha. Atualmente, a cidade está sem delegado.
Ele disse também que acredita na intervenção do deputado estadual Élio Rush (PFL) para que a portaria que extinguiu os calças-curtas seja revogada. Ele é gente nossa, Policial rodoviário aposentado, Tropiani Filho estudou até o segundo grau.
Ele assumiu a Delegacia de Serranópolis do Iguaçu em julho do ano passado. Foi afastado no início de janeiro, por força da portaria estadual, antes mesmo de ser nomeado. Por isso, diz que até hoje trabalhou sem receber salário, por amor à Pátria. (Valmir Denardin)





