Policial acusado de crimes escapa de abordagem da PM
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quarta-feira, 19 de março de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O policial civil Samir Skandar, que tem dois mandados de prisão e está foragido desde outubro do ano passado, foi visto em Curitiba, na noite de terça-feira passada, por uma equipe do regimento da polícia montada da Polícia Militar, que atuava no Bairro Bacacheri. De acordo com o tenente da PM, Moisés Ceschin, por volta de 20 horas os policiais reconheceram Skandar, que dirigia o veículo Audi A3, placas MGM-0806. Junto estavam a sua namorada, Kelly Cristine Teixeira, 22 anos, e o filho do casal, de dez meses.
A PM tentou abordar o veículo, mas o policial teria fugido em direção à casa de Kelly, no Bairro Jardim Social. A PM entrou na residência, mas Skandar conseguiu escapar. No local, foram encontrados duas jaquetas da Polícia Civil, coldres e uma pistola 380 com a numeração lixada. Kelly foi encaminhada ao 5º Distrito Policial. De acordo com o delegado Sebastião Gaspar, em seu depoimento ela admitiu que tem relação com o policial fugitivo, mas negou que o motorista do carro fosse Skandar.
O material encontrado na casa foi apreendido e levado ao 5º Distrito Policial. O delegado instaurou inquérito contra Skandar por descaraterizar a arma, lixando o número de série.
Skandar está foragido desde outubro do ano passado, depois de ter prisão preventiva decretada pelo juiz da 5 Vara Criminal de Curitiba. Ao todo, 20 pessoas foram denunciados à vara criminal pelo Ministério Público do Paraná, acusados de integrar uma quadrilha de roubo e furto de caminhonetes que atuava em Curitiba e Região Metropolitana. Eles foram denunciados por formação de quadrilha, roubo, furto e receptação de veículos e concussão (no caso dos policiais).
Além de Skandar, foram denunciados o superintendente da Polícia Civil, Hélcio Piasseta, cinco policiais civis e mais três investigadores de polícia: Araci de Mattos Leite, Percival Abel Fromholtz e Celso Pereira da Silva.
Skandar também foi citado várias vezes na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, instalada em 2000. Segundo o promotor Paulo Sérgio M. de Lima, na época a CPI concluiu o envolvimento de Skandar no fornecimento de drogas e participação da ''firma'' - nome dado ao grupo criminoso do 8º e 10º distritos policiais. Ele também foi acusado de chefiar o tráfico e de manter um laboratório de refino de cocaína.
A CPI também apurou que o policial possuía bens incompatíveis com seus ganhos, e apurou sua participação no roubo de carros e encaminhamento dos veículos para desmanche. Skandar prestou depoimento à CPI em 1º de março de 2000. No final, a Comissão encaminhou relatório à Procuradoria de Investigações Criminais (PIC) denunciando-o por tráfico, furto e desmanche de veículos, concussão, extorsão, corrupção ativa e passiva. Com base neste relatório, a PIC ofereceu denúncias que estão sendo analisadas na 2º vara criminal.


