Mário CésarPela primeira vezDias depois da fuga no 3º DP, a garotada da escola estadual Kazuko Ohara cerca o soldado Bonesi: policial é visto com curiosidadeDois policiais estão garantindo a segurança na escola estadual Kazuko Ohara, no jardim Bandeirantes (zona oeste). As aulas, suspensas desde a última quinta-feira, quando houve fuga de presos no 3º Distrito Policial, que fica ao lado da escola, recomeçaram ontem. ‘‘Nem todos os alunos vieram, mas a situação agora é de tranquilidade’’, comentou a diretora Enedméa Regina Martins Rodrigues.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Marino Ari Burille, que assumiu compromisso de reforçar o policiamento local, esteve ontem cedo no colégio. Ele orientou os soldados: ‘‘Qualquer movimento suspeito peçam reforço’’. A escola de 1ª à 6ª série funciona no período da manhã e da tarde. Tem 480 alunos na faixa entre 7 e 13 anos.
Depois do susto da última quinta-feira, quando seis presos do DP tiveram acesso às ruas pulando o muro do colégio e passando pelo meio do pátio em que estavam os alunos, os estudantes, agora refeitos, consomem os minutos do recreio matando curiosidades sobre a vida policial.
O soldado Bonesi, que permanece no interior do colégio, enquanto seu parceiro faz o policiamento externo, virou atração da garotada. Foi bombardeado por perguntas e, muito paciente, respondeu a todas elas. ‘‘Quanto pesa o seu revólver, tio?, quis saber um dos alunos. ‘‘Mais de um quilo, se estiver com munição’’, informou Bonesi.
‘‘Com ele aqui não vai mais escapar nenhum ladrão’’, apostava o aluno da 3ª série, Diego Rafael, 9 anos. ‘‘Ele é o nosso Hulk’’, exagerava Leonardo Cabral.
Diante da atenção despertada pelo policial, a orientadora educacional Júlia Massako Tsuchida decidiu fazer uma apresentação do soldado Bonesi. Ele foi convidado a passar pelas salas de aula, matando a curiosidade dos alunos. Ficou sabendo que em uma das salas estudam dois filhos de policiais e que a casa de Bruna, aluna da 3ª série, foi roubada. O ladrão, depois de tomar posse de duas calças jeans ‘‘novinhas’’ e de um par de tênis, ainda xingou a mãe da menina. ‘‘Ele disse que ela era uma velha louca’’, contou Bruna, bem humorada.
‘‘Até parece que o policial é uma pessoa de outro mundo’’, comentou a professora Clélia Barbosa Camacho. ‘‘Eles estão alvoroçados por causa da novidade.’
Mais tranquilo, o auxiliar administrativo do colégio, Edmilson Feliciano, acredita que, com um policial no pátio da escola e outro do lado de fora, os presos do distrito policial não vão mais se atrever a fazer o mesmo percurso da fuga passada. Ele lembra que os fugitivos levaram quase 20 minutos pulando o muro e passando no meio do pátio. ‘‘Foi horrível.’
A fuga aconteceu por volta das 13 horas, horário em que os estudantes estão aglomerados no pátio. ‘‘Quando as crianças se deram conta do que estava acontecendo começaram a gritar, entraram em pânico’’, conta o auxiliar.
A decisão de manter o policiamento na escola foi anunciada anteontem pelo comandante do 5º BPM durante reunião realizada na Câmara de Vereadores. Participaram da reunião o juiz da Vara de Execuções Penais, Roberto do Valle, o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Leonyl Ribeiro, o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Irineu Abílio Vieira, o engenheiro-chefe do escritório local da secretaria de Obras, Marcelo Paulino, e representantes dos moradores do bairro.
A reunião foi realizada por iniciativa dos vereadores Adalberto Pereira (PFL) e Célio Guergoletto (PMDB). Cerca de 150 pessoas, entre moradores, estudantes e pais de alunos da escola, compareceram à Câmara para pedir uma solução para a falta de segurança na região onde está instalado o 3º DP.
O distrito deve passar por reformas assim que forem concluídas as obras no 5º Distrito (zona norte). A previsão é de que isso ocorra em 20 dias. Antes do início das obras no local, os presos do 3º DP serão transferidos para o 5º DP.

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