O novo Estatuto da Polícia Civil deverá ter pontos vetados a pedido dos delegados da corporação. Ontem, em reunião informal do Conselho da Polícia Civil, presidido pelo delegado-chefe, Leonyl Ribeiro, ficou estabelecido o encaminhamento de um parecer da categoria ao governador Jaime Lerner. No documento, ainda não concluído, os delegados pretendem embasar Lerner para possíveis alterações do projeto aprovado pela Assembléia Legislativa.
Um dos principais vetos é relacionado à remuneração do policial investigado. No projeto aprovado, os policiais afastados receberiam um terço do salário, até que fossem concluídas as investigações. Para os delegados ligados à Corregedoriada Polícia Civil, essa proposta estimula a impunidade. No entanto, a corrente vinculada à Associação dos Delegados da Polícia Civil (Adepol) defende penas mais brandas.
Outra alteração é quanto às punições de caráter disciplinar. O grupo ligado ao delegado Leonyl Ribeiro defende que se aumentem as sanções nos casos considerados graves, como as ameaças. A punição prevista no estatuto é suspensão de 60 dias. Mas o ponto mais polêmico é quanto à composição do Conselho da Polícia Civil. Os delegados querem eleger seus representantes no conselho, mas o estatuto estabelece que o presidente é o delegado chefe, que pode indicar mais dois delegados com alto saber jurídico e outros três de sua escolha. Além dessas pessoas, participam o chefe da Escola Superior da Polícia Civil e o delegado-chefe adjunto. Os membros da Adepol querem que a escolha seja feita por votação.
Oficialmente, essas discussões sobre o Estatuto da Polícia Civil não terminaram. O delegado Leonyl Ribeiro, por meio de sua assessoria de imprensa, comunicou que as análises vão continuar nos próximos dias.

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