Policiais vão patrulhar ruas sozinhos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de julho de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Marcelo AlmeidaTesteProjeto Policiamento Solidário foi lançado experimentalmente ontem e na primeira etapa vai utilizar 18 viaturas com apenas um policial em cada umaA Polícia Militar vai tentar contornar a escassez de pessoal e aumentar a presença nas ruas utilizando policiais sozinhos, e não mais em duplas, em algumas viaturas. O projeto, batizado de Policiamento Solidário, foi lançado experimentalmente ontem e na primeira etapa vai utilizar 18 viaturas, todas em Curitiba.
Foram destinadas seis viaturas para cada uma das três áreas em que a PM divide a cidade para efeito de patrulhamento. Segundo o comandante do policiamento da capital, coronel Renildo Gonçalves da Silva, as viaturas (Escorts 1.8 zero quilômetro) serão direcionadas para locais e horários que as estatísticas indicam como campeões de criminalidade.
O coronel cita como exemplo os bairros da Água Verde, Bigorrilho e Parolin. Segundo ele, as viaturas circularão por locais diferentes e em horários diversos ao longo do dia, de forma a contar com o elemento surpresa. Em cada região, serão priorizados pontos como saídas de escolas, terminais de transporte coletivo, áreas de comércio e outros locais de fluxo intenso de pessoas. As outras 150 viaturas disponíveis continuarão fazendo o patrulhamento normal em Curitiba e Região Metropolitana, com dois policiais em cada uma.
O comandante não teme que o fato de colocar os policiais sozinhos nas viaturas aumente a taxa de risco do trabalho e fragilize a segurança. É justamente por isso que o projeto leva o nome de solidário: o policial jamais irá atuar em situação de risco sem apoio, diz. De acordo com Silva, as seis viaturas de cada área atuarão sempre relativamente próximas umas das outras, de forma a permitir apoio rápido em situações de emergência.
Os policiais também contarão, além do rádio da viatura, com rádios móveis, do tipo HT. Segundo o coronel, os policiais envolvidos no projeto foram escolhidos a dedo e treinados para trabalhar sozinhos, com reforço nos cuidados a tomar.
O CPC pretende avaliar o projeto até o final do ano e ampliá-lo se os resultados forem positivos. A intenção é, com isso, aumentar a presença da PM numa região onde a população está cada vez mais assustada com a violência.
O coronel Renildo Silva admite que alguns índices de criminalidade, como roubos a mão armada, têm sofrido aumento em Curitiba e região. Mas afirma que, de modo geral, as estatísticas mostram repetição. Ele diz que a PM dispõe de 3,5 mil homens para fazer a segurança da região, quando seriam necessários 6 mil. O efetivo da PM é praticamente o mesmo há dez anos.


