Policiais terão que devolver dinheiro
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terça-feira, 02 de julho de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão - O promotor da 1 Vara Cível da Comarca de Campo Mourão, Inácio de Carvalho Neto, abriu ontem inquérito civil público para apurar a responsabilidade civil dos quatro policiais rodoviários de Campo Mourão e Maringá que foram presos no final de semana acusados de participar de um esquema de propina. Segundo a denúncia, ônibus de turismo tinham que pagar 'pedágio' aos policiais na PR-317.
O inquérito é o primeiro passo para a apresentação de uma ação pedindo ressarcimento dos prejuízos ao Estado. A ação também deverá pedir a demissão dos policiais envolvidos. Carvalho Neto admitiu que o valor a ser ressarcido pode ser 'muito grande.' ''Se os ônibus estavam passando sem nenhuma fiscalização, o volume de contrabando e de cargas irregulares deve ser ressarcido,'' explicou.
Segundo depoimentos incluídos no processo que tramita no Fórum de Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão), o empresário Amauri Lopes teria afirmado que entre 200 e 300 ônibus de sacoleiros passavam por dia pela balança da PR-317 e que cada um pagava um 'pedágio' que variava de R$ 50,00 a R$ 100,00. Lopes, que é acusado de fazer parte do esquema, está preso em Araruna. Ele nega ter feito essas afirmações.
A denúncia do Ministério Público contra os policiais foi feita, principalmente, com base em depoimentos da comandante do 2º Pelotão da 4 Companhia da Polícia Rodoviária em Campo Mourão, tenente Cláudia Ferreira da Silva. Ela se infiltrou no esquema para investigar o caso. Já as principais provas materiais são conversas gravadas em fitas cassetes entre Cláudia e Lopes. O processo tem 39 páginas com transcrições dessas fitas.
Os policiais presos são o capitão Esmeraldo Mançano (ex-comandante da 4º Companhia de Maringá), o tenente William Dieimes Silveira (ex-comandante do 2º Pelotão de Campo Mourão) e os sargentos Divonzir Ferreira da Silva (ex-chefe do posto da Polícia Rodoviária de Campo Mourão) e Valdemir Aparecido Bonifácio (ex-chefe do posto da balança de Peabiru). Eles tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça de Peabiru.


