Policiais têm revogação de prisão negada
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Os policiais civis Wilson de Oliveira e Israel Henrique de Lima, do 6º Distrito Policial de Londrina, detidos pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina em meados de janeiro pelo crime de concussão (extorsão praticada por funcionário público) contra um comerciante, devem continuar presos. A juíza Lídia Maejima indeferiu ontem o o pedido de revogação da prisão preventiva dos dois depois que os policiais prestaram depoimento na 2 Vara Criminal. No depoimento, ambos reafirmaram que são inocentes da acusação. Segundo eles, estavam investigando a suposta vítima e conduzindo o suspeito até a 10 Subdivisão Policial quando foram abordados por viaturas da PIC. Segundo eles, não teriam parado porque não reconheceram os veículos.
De acordo com a denúncia, os policiais teriam tentado extorquir R$ 700 de um microempresário, identificado inicialmente como Adilson. A quantia serviria para que os policiais devolvessem equipamentos eletrônicos que tinham sido apreendidos no estabelecimento do microempresário por suspeita de serem furtados. Ao serem abordados pela PIC, eles não pararam o veículo que dirigiam. Um dia depois, os dois se apresentaram e foram presos.
Segundo o advogado dos policiais, André Luis Salvador, seus clientes estavam investigando o comerciante há algumas semanas. No dia em que foram presos, eles teriam recebido a informação de que o microempresário estaria em um posto de gasolina na Zona Sul em companhia do dono dos equipamentos. De acordo com Salvador, os policiais, sabendo que havia um mandado de prisão contra o microempresário, foram até o local e lá teriam recebido a proposta de suborno. Por isso, eles estariam se dirigindo até a 10 Subdivisão onde pretendiam prendê-lo em flagrante por tentativa de suborno.
No decorrer das investigações foi apurado que o proprietário do estabelecimento seria Nilton Fontoura de Lima e que Adilson era somente um funcionário. Lima tinha um mandado de prisão a cumprir por furto, expedido pela 4 Vara Criminal. O microempresário foi localizado pela Polícia e está preso no 4º DP. ''Os dois policiais estavam trabalhando e há três quadras da delegacia central houve a desastrosa diligência da PIC'', comentou o advogado. Salvador disse que o próprio delegado do 6º Distrito Policial, Algacir Ramos, arrolado como testemunha de defesa, sabia que os policiais estavam em serviço. O delegado não foi localizado ontem pela reportagem. A Folha procurou os promotores da PIC que preferiram, primeiro, tomar ciência do conteúdo do depoimento dos policiais.


