Londrina
Foram quatro manhãs distantes da rotina. Ontem, um grupo formado por 35 agentes, escrivães e delegados da Polícia Civil concluiu o curso sobre cidadania e direitos humanos, ministrado por professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Solicitado pela Escola da Polícia Civil do Paraná, o curso foi realizado através de convênio com as secretarias do Trabalho e de Administração e universidades paranaenses.
A investigadora da Delegacia da Mulher, Adalgisa da Silva, 38 anos, há 14 anos trabalhando na Polícia Civil, aprovou a iniciativa. Ela gostou principalmente das atividades de sensibilização desenvolvidas pela professora de psicologia Regina Márcia Brolesi de Souza. ‘‘Eu já estava levando os problemas do trabalho para casa sem perceber.’’
Separada, mãe de uma menina de 10 anos, a policial convive diariamente com situações de violência. Adalgisa diz que é muito difícil evitar que situações do trabalho interfiram em sua vida pessoal. ‘‘Só percebo que estou no limite quando começo a gritar em casa e perco a paciência com minha filha.’’ No trabalho, afirma a investigadora, é fundamental manter a calma diante de situações de violência. ‘‘Tenho que conversar com as mulheres que foram espancadas, violentadas, expulsas de casa. Pedir que fiquem calmas para podermos ajudá-las.’’
O mais importante para ela, nesses dias de curso, foi o tempo disponível para repensar não só a vida profissional mas também a pessoal. ‘‘No dia-a-dia não há tempo para pensar em você. Nesses dias de curso, tivemos tempo e oportunidade para isso.’’ A investigadora teve também oportunidade para descontrair através de brincadeiras feitas em grupo.
Delegado há dois anos, o titular do 4º Distrito Policial, Joaquim Antonio de Melo, foi escrivão durante 11 anos. Ele afirma: ‘‘Ninguém melhor que os policiais para conhecer os direitos humanos’’. As noções básicas sobre direitos humanos, observa o delegado, são transmitidas durante o curso de formação na Escola da Polícia Civil, que tem duração de três a quatro meses.
Joaquim de Melo diz que é preciso considerar os casos de violência e os crimes praticados por policiais como ‘‘casos isolados’’. Ele destaca que, se for considerado todo o efetivo das polícias Civil e Militar, os fatos e denúncias divulgados pela imprensa ‘‘são um grão de areia no oceano’’. O delegado defende a reciclagem dos profissionais ‘‘para que não fiquem relaxados’’.
Outros três cursos para policiais devem ser realizados até o final do ano, informa o chefe da Divisão de Atendimento e Treinamento da Coordenadoria de Recursos Humanos da UEL, Renato Pianowski. Segundo ele, o próximo curso, que também será ministrado pelos professores da UEL, acontece em Maringá. ‘‘Devem participar também policiais militares, rodoviários e federais.’’
Pianowski destaca que o curso faz parte de um convênio que prevê a qualificação e requalificação do servidor público. A participação da psicóloga, diz ele, é importante para promover maior interação entre o grupo. A comunicação e a motivação são trabalhadas através de jogos e exercícios. ‘‘Também há a preocupação em enfocar o exercício da cidadania sob a ótica do policial, da vítima da violência e do suspeito.’’

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