A dupla de policiais civis da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, suspeitos de concussão (extorsão praticada por funcionários públicos), apresentaram-se espontaneamente, no início da tarde de ontem, à Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Wilson de Oliveira e Israel Henrique de Lima estavam com a prisão preventiva decretada desde o final da manhã e, em seus depoimentos, alegaram inocência. Eles são lotados no 6º Distrito Policial, que funciona na sede da 10 SDP, no centro de Londrina.
O advogado André Salvador, que representa os policiais, disse que seus clientes foram vítimas de suborno e empreenderam fuga porque não reconheceram o carro da PIC. A versão deles é que os equipamentos eletrônicos apreendidos no estabelecimento do empresário, designado apenas como Adilson, poderiam ser roubados e o encontro em um posto de gasolina da Zona Sul da cidade fazia parte da investigação.
''Eles receberam um telefonema do funcionário de Adilson que garantiu apresentar patrão e dono da mercadoria neste local. Foi nessa ocasião que os policiais receberam a oferta de R$ 700,00 em troca do silêncio. Diante da negativa, os quatro se dirigiam à 10 SDP para a tomada das medidas necessárias quando foram abordados pela equipe da PIC que, na imaginação deles, poderiam ser pessoas ligados ao empresário'', explicou o advogado dos acusados.
O delegado Allan Henrique Flore e o promotor Jorge Fernando Barreto da Costa não acreditaram nessa justificativa. Segundo ambos, é muito difícil que os policiais não tenham reconhecido os carros da PIC, principalmente, porque as sirenes estavam ligadas. Outra divergência recai sobre quem jogou as notas de R$ 50,00 pela janela do carro durante perseguição, anteontem à tarde, que teve até disparos de tiros. Os policiais disseram que foi o empresário, mas Flore afirma que a ação foi praticada por Lima, que já respondeu processo por facilitação de fuga. Oliveira também é fichado na polícia por lesões corporais, crime ambiental e concussão.
Até o final desta edição, no início da noite de ontem, o interrogatório ainda estava em andamento na PIC. De acordo com o delegado, os policiais seriam encaminhados ainda ontem à noite para o 4º Distrito Policial e ficariam presos em celas separadas dos outros detentos.
Salvador afirmou que não sabe se continuará com o caso, mas acredita que, na próxima semana, será pedida a revogação das prisões ou o habbeas corpus. Lima e Oliveira não quiseram conversar com a imprensa.
A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou ontem que Oliveira e Lima deverão ser afastados dos cargos no início da próxima semana. O corregedor-geral da Polícia Civil, Paulo Breni, não quis falar sobre o assunto. Segundo o assessor de imprensa da corporação, Guilherme Voitch, ''será aberto o processo administrativo e estes policiais devem ser afastados das suas funções para que possa ser averiguado o que aconteceu''. A assessoria ainda afirmou que, se confirmada a acusação, os policiais poderão ser suspensos das funções, multados ou exonerados dos cargos.
Além dos dois policiais, em Londrina e região outros quatro membros da corporação foram afastados nos últimos três meses por suspeita de concussão. (Colaborou Cristiane Oya)

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