Qual é a melhor forma de oferecer auxílio aos deficientes visuais? Como ajudá-los a atravessar a rua ou entrar no carro? Com o objetivo de obter as respostas para estes e outros questionamentos, os 90 alunos soldados do 5º Batalhão da Polícia Militar (PM) receberam ontem um treinamento.
A aula de cidadania contou com palestra de um membro da Associação dos Deficientes Visuais de Londrina e Região (Adevil) e aplicação prática dos conhecimentos. Sessenta policiais condutores de veículos também receberam o treinamento. Eles tiveram noções de direção defensiva e mecânica de automóvel. A aula incluiu ainda orientação sobre como proceder para ajudar um cego a entrar num carro. A meta agora é passar as noções de como ajudar as pessoas com deficiência visual para policiais de outros setores do batalhão.
O palestrante Frederico Toti, 39 anos, enfatizou que os deficientes visuais podem receber ajuda não apenas para enfrentar o clássico risco de atravessar a rua, mas em inúmeras situações. ''Com a orientação correta, o PM, como qualquer outro cidadão, pode orientar a pessoa com deficiência visual a chegar a determinado local, ler um documento para ele'', exemplificou.
Para Toti, que perdeu a visão há dez anos em consequência do diabetes, a ajuda do policial deve oferecer ''uma segurança e uma confiança'' ainda maiores para os cegos. E ressaltou que as palestras são a melhor forma de difundir as orientações adequadas de como comportar-se em relação às pessoas com deficiência visual.
O convite partiu do próprio batalhão, através de um policial que conheceu o trabalho de Toti. Responsável pelo setor de Relações Públicas da PM, tenente Ricardo Eguedis explicou que os ensinamentos fizeram parte da formação dos alunos soldados, que inclui a disciplina de Direitos Humanos e Cidadania.
''A maioria não tem experiência com esse tipo de situação. Por isso, as orientações vão servir para os alunos como cidadãos e ainda mais durante o serviço'', apontou Eguedis.
O aluno soldado Ramon Liranço de Souza, 25 anos, disse que pretende passar os conhecimentos obtidos ontem para amigos de fora da corporação. ''Sempre ajudei quando foi preciso, principalmente para atravessar a rua. Vou passar esses conhecimentos para conhecidos meus, como é a maneira mais adequada de ajudar, que é só servir de indicação, não precisa conduzir a pessoa'', afirmou.
Uma das poucas mulheres da turma, Camila de Souza Fonseca, 20, comentou que o treinamento mostrou que é necessário mudar algumas atitudes dela. ''Uma vez ajudei um deficiente visual a subir no ônibus. Agora aprendi que até a forma de abordar para oferecer ajuda deve ser diferente. Algumas atitudes podem até magoar as pessoas'', comentou.

mockup