Cristine Pieske
Três policiais civis foram presos anteontem à tarde em União da Vitória, na região sul do Estado, sob a acusação de terem torturado vários presos da delegacia da cidade. A investigadora Margareth Fernandes de Castro, o superintendente da delegacia, Benoir Pereira, e o policial Edson Bulgari tiveram suas prisões preventivas decretadas pelo promotor público do município, Rudi Rigo Burkle, e estão recolhidos no QG da Polícia Militar.
Segundo o promotor, o pedido de prisão dos policiais está apoiado em duas denúncias semelhantes recebidas na última semana pelo Ministério Público. São relatos de choques elétricos, afogamento, tentativas de sufocamento com sacos plásticos e espancamentos que estariam ocorrendo com frequência na delegacia. Há ainda denúncias de que uma chácara situada no município de Cruz Machado, utilizada pelos policiais para pescarias, também estaria sendo usada como local de torturas.
Durante a busca realizada na delegacia de União da Vitória na tarde de quinta-feira, o promotor afirma ter encontrado pedaços de corda, câmaras de pneu e um equipamento artesanal ligado à corrente elétrica. Todos os objetos foram encontrados dentro de um veículo não oficial que estava estacionado no pátio da delegacia e que estaria sendo usado irregularmente pelos policiais. Segundo o promotor, os objetos se encaixam na descrição feita pelas pessoas que fizeram a denúncia.
O relato mais contundente de tortura foi feito pelo assaltante Teófilo Juvêncio Ferreira Neto, conhecido como ‘‘Netinho’’. Ele havia sido preso no início da semana passada e se preparava para fazer a reconstituição do furto quando conseguiu fugir e acionar o Ministério Público. No seu depoimento à promotoria, ele afirmou ter sido amarrado e ter recebido choques dos agentes.
A prisão dos policiais revoltou a cúpula da Polícia Civil do Estado, que acusa o promotor Rudi Burkle de ter agido com precipitação e abuso de autoridade. Em uma nota de repúdio distribuída ontem à imprensa pelo Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol), os policiais afirmam que a prisão preventiva dos envolvidos foi pedida sem qualquer prova material. ‘‘O Ministério Público acreditou numa simples declaração do conhecido meliante Netinho, invadindo a delegacia numa atitude irresponsável e algemando os policiais como se eles fossem criminosos’’, diz a nota.
Ontem, o promotor ofereceu nova denúncia ao Ministério Público contra os policiais por prática de tortura. Segundo o promotor, os policiais também estão sendo acusados de invasão de domicílio e facilitação de fuga.

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