Policiais são presos acusados de tortura
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quarta-feira, 11 de julho de 2001
Erika Wandembruck De Curitiba 
A Corregedoria da Polícia Civil instaurou inquérito policial para apurar denúncias de extorsão e tortura contra os presos da Delegacia de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. O ex-detento Dirceu Fernandes acusa os investigadores Edson Vieira, Gema Flemming e o escrivão Marlus Cunha de agredirem fisicamente os presos e de extorquirem deles R$ 10 mil. O delegado de Araucária, Andrei Cordeiro, foi afastado do cargo até que as investigações sejam concluídas.
Os três policiais estão detidos desde ontem na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba. A prisão temporária dos investigadores foi decretada pela juíza de Araucária, Daniele da Costa, e irá vigorar até domingo.
O corregedor da Polícia Civil, Adauto de Oliveira, disse que o Instituto Médico Legal (IML) fez exames em alguns presos e constatou as lesões. O caso mais grave de tortura seria contra o preso José Marcos de Lima e de um adolescente, ambos detidos por furto. Até sexta-feira, Oliveira vai pedir a prisão preventiva dos acusados.
Antes do afastamento, o delegado Cordeiro disse que as acusações não procedem. Nunca houve tortura nem extorsão, afirmou. De acordo com ele, o ex-detento Dirceu Fernandes, preso por receptação e corrupção de menores, estaria querendo desviar o curso das investigações. Ele e o Josué Mendes, que também foi preso com Fernandes, acusaram o vereador de Campo Largo (região metropolitana) Pedro Barauce de mandá-los aliciar os menores a cometerem furtos e distribuirem dinheiro falso no comércio. Acredito que para não ser preso, o vereador ordenou que eles inventassem esta história, opinou.
O vereador Pedro Barauce nega qualquer envolvimento sobre a acusação contra os investigadores. Eu nem sabia do ocorrido e tampouco conheço essas pessoas, afirmou referindo-se a Fernandes e Mendes. Barauce disse que vai tomar providências com relação às acusações do delegado de Araucária. (Colaborou Andrea Lombardo)


