Policiais são ouvidos sobre morte de índio
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quarta-feira, 25 de abril de 2001
Edna Mendes De Londrina 
Os quatro policiais militares que participaram da ação policial que resultou na morte do índio guarani Vicente Cândido de Lima, 39 anos, na segunda-feira na Reserva Laranjinha, em Santa Amélia (Norte do Estado), prestaram depoimento ontem na Delegacia da Polícia Federal de Londrina. A versão deles para o caso é totalmente diferente das duas testemunhas que prestaram depoimento anteontem. O secretário Estadual da Segurança, José Tavares, disse ontem que o policial agiu em legítima defesa.
De acordo com o delegado da PF, Pedro Paulo Figueiredo, os PMs afirmaram que receberam uma solicitação por parte da ex-mulher do índio, Antonia da Silva, de que ele estava com o neto Mateus, de cinco meses, e que ameaçava matá-lo. Os policiais teriam ido até a reserva, onde perseguiram o índio. Conforme o depoimento, ao encontrar Lima os policiais tentaram negociar com índio, que estava desarmado, para que ele entregasse a criança, mas ele teria se recusado. O cabo Nilson dos Santos confessou que atirou no índio porque imaginou que o índio estivesse matando o bebê.
Segundo o depoimento do policial, depois do primeiro tiro, nas costas, o índio caiu sobre a criança e levantou em seguida segurando o bebê pelo pescoço. Nesse momento ele pensou que o índio fosse matar mesmo a criança e disparou o segundo tiro, praticamente à queima-roupa, na cabeça dele, contou o delegado. No depoimento os policiais disseram ainda que não tinham conhecimento de que estavam dentro da reserva índigena, onde é proibida a entrada deles sem autorização da Funai.
As testemunhas da ação policial, os índios Jefferson de Abreu e Júlio César Camargo, afirmaram que o índio pedia para que os policias abaixassem as armas que ele entregaria a criança. Eles também disseram que um dos policiais escorregou e caiu, o que teria assustado o índio, que já havia deixado o bebê no chão e teria apanhado novamente. Eles afirmaram ainda que a ação foi rápida. Já os PMs disseram que a negocição durou cerca de 50 minutos.
Nos próximos dias os familiares do índio e integrantes da comunidade também serão ouvidos. O delegado informou ainda que, assim que todos os depoimentos forem tomados, também será feita a reconstituição do caso. Os depoimentos são bem diferentes, mas somente com a reconstituição e os laudos de necrópsia, lesões corporais do bebê e os exames de balística é que poderemos chegar a uma conclusão.
O procurador do Ministério Público Federal, Mário Leite, foi designado para acompanhar o caso. O procurador federal da Funai, Derli Cardoso Fiúza, chegou ontem para atuar na defesa do índio. Hoje, ele vai até Santa Amélia. Ele disse que a violência da PM contra índios é preocupante. Os índios estão ficando com medo da polícia por causa dos excessos, afirmou.


