Os quatro policiais militares que participaram da ação policial que resultou na morte do índio guarani Vicente Cândido de Lima, 39 anos, na segunda-feira na Reserva Laranjinha, em Santa Amélia (Norte do Estado), prestaram depoimento ontem na Delegacia da Polícia Federal de Londrina. A versão deles para o caso é totalmente diferente das duas testemunhas que prestaram depoimento anteontem. O secretário Estadual da Segurança, José Tavares, disse ontem que o policial agiu em legítima defesa.
De acordo com o delegado da PF, Pedro Paulo Figueiredo, os PMs afirmaram que receberam uma solicitação por parte da ex-mulher do índio, Antonia da Silva, de que ele estava com o neto Mateus, de cinco meses, e que ameaçava matá-lo. Os policiais teriam ido até a reserva, onde perseguiram o índio. Conforme o depoimento, ao encontrar Lima os policiais tentaram negociar com índio, que estava desarmado, para que ele entregasse a criança, mas ele teria se recusado. O cabo Nilson dos Santos confessou que atirou no índio porque imaginou que o índio estivesse matando o bebê.
Segundo o depoimento do policial, depois do primeiro tiro, nas costas, o índio caiu sobre a criança e levantou em seguida segurando o bebê pelo pescoço. ‘‘Nesse momento ele pensou que o índio fosse matar mesmo a criança e disparou o segundo tiro, praticamente à queima-roupa, na cabeça dele’’, contou o delegado. No depoimento os policiais disseram ainda que não tinham conhecimento de que estavam dentro da reserva índigena, onde é proibida a entrada deles sem autorização da Funai.
As testemunhas da ação policial, os índios Jefferson de Abreu e Júlio César Camargo, afirmaram que o índio pedia para que os policias abaixassem as armas que ele entregaria a criança. Eles também disseram que um dos policiais escorregou e caiu, o que teria assustado o índio, que já havia deixado o bebê no chão e teria apanhado novamente. Eles afirmaram ainda que a ação foi rápida. Já os PMs disseram que a negocição durou cerca de 50 minutos.
Nos próximos dias os familiares do índio e integrantes da comunidade também serão ouvidos. O delegado informou ainda que, assim que todos os depoimentos forem tomados, também será feita a reconstituição do caso. ‘‘Os depoimentos são bem diferentes, mas somente com a reconstituição e os laudos de necrópsia, lesões corporais do bebê e os exames de balística é que poderemos chegar a uma conclusão.’’
O procurador do Ministério Público Federal, Mário Leite, foi designado para acompanhar o caso. O procurador federal da Funai, Derli Cardoso Fiúza, chegou ontem para atuar na defesa do índio. Hoje, ele vai até Santa Amélia. Ele disse que a violência da PM contra índios é preocupante. ‘‘Os índios estão ficando com medo da polícia por causa dos excessos’’, afirmou.

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