Curitiba O suposto líder da quadrilha de roubo de cargas que agia no Paraná, Santa Catarina e interior de São Paulo, Mário Fogassa, inocentou ontem os delegados e policiais que estão sendo acusados pelo Ministério Público de facilitar a atuação do bando, mediante pagamento de propina, em uma entrevista concedida ao jornalista Rafael Faria, da TV Bandeirantes. Estão presos o delegado Armando Marques Garcia e o policial Hélcio Piasseta. A delegada Margareth Motta está foragida. Os três trabalhavam na Delegacia de Estelionatos e Desvios de Cargas. Além deles, foram presas outras 12 pessoas de um total de 21 denunciadas.
Na entrevista, Fogassa disse que conhece o delegado Armando, a delegada Margareth e o superintendente Hélcio porque foi à delegacia depor. Ele afirmou que os policiais nunca lhe pediram dinheiro e que nem sabe quem é Tavares, se refindo ao secretário José Tavares, que foi citado na denúncia do MP.
Segundo o coordenador-geral da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), Ramatis Fávero, o advogado de Fogassa estaria negociando com policiais a apresentação do seu cliente. Até o final da tarde de ontem, no entanto, ele continuava foragido. De hoje até o dia da eleição, os mandados de prisão não podem mais ser cumpridos, conforme estabelece a legislação eleitoral, voltando ao normal apenas na segunda-feira.
Diante disso, o advogado de Garcia e Margareth, Antonio Figueiredo Basto, suspendeu a apresentação da delegada, que está foragida. Ela deveria se apresentar hoje. Ontem ele entrou com pedido de habeas-corpus para o delegado Garcia, mas até o final da tarde o pedido não havia sido julgado.
Segundo o promotor Fávero, já foram cumpridos 14 dos 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Diversas armas, equipamentos de comunicação e outros objetos foram encontrados em chácaras que seriam usadas pelos quadrilheiros. Entre as armas, estava uma que possuía etiqueta de identificação da Polícia Civil. Ontem mais uma pessoa foi presa. A Justiça de Rio Negro marcou para o dia 10 de outubro o interrogatório dos denunciados que não são funcionários públicos.

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