Policiais são denunciados por extorsão
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2003
Vânia Moreira<br> Equipe da Folha 
Altônia - O delegado de Altônia (76 km a sudoeste de Umuarama) Gilberto Pereira da Silva, é acusado de tentar extorquir uma família de Cruzeiro do Oeste (25 km a leste de Umuarama) usando um mandado de prisão expedido pela Justiça de Curitiba num caso que não tinha nenhuma ligação com sua área de atuação. Outros 14 policiais civis e militares também teriam participado da operação ilegal e cometido vários abusos, entre eles, ter invadido uma casa e tentado prender a pessoa errada. A denúncia foi feita ontem pelo advogado das vítimas, Wilton Silva Longo.
Segundo o advogado, Pereira e os outros policiais, cujos nomes ainda estão sendo apurados, ficaram um dia e meio em Cruzeiro do Oeste exigindo o pagamento de 100 mil dólares para não prender a tia de um comerciante da cidade, acusada de ter aplicado um golpe em Curitiba. Longo não quis revelar os nomes do comerciante e da tia supostamente procurada pela polícia. O delegado exibia um mandado de prisão expedido em 2000 que, segundo o advogado, já foi revogado.
Antes de cercarem a casa da família e manter contatos pessoais e por telefone com o advogado e o comerciante exigindo o dinheiro, policiais de Altônia e Icaraíma invadiram a casa da comerciante Ângela Amadéia Zanoni Cunha durante uma festa de aniversário e tentaram prendê-la. Segundo Longo, Ângela foi confundida com a mulher procurada por ter as mesmas características físicas.
Ângela disse que quatro policiais chegaram na casa dela domingo à tarde quando os familiares comemoravam seu aniversário. Encostaram uma arma na cabeça dela, ignoraram às explicações de que não era a mulher do mandado e insistiam em levá-la presa. Desesperada, a família chamou o advogado que mora numa casa em frente. O mal entendido só foi desfeito depois que o advogado chegou.
À noite, outro cliente de Longo. R. Z..R. o procurou para informar que policiais a paisana e usando carros particulares haviam cercado sua casa, estavam a procura da tia e queriam dinheiro para não cumprir o mandado de prisão. Longo marcou um encontro com o delegado numa lanchonete, no qual Pereira confirmou que exigia US$ 100 mil e ameaçava chamar a imprensa para divulgar a ''operação'' de prisão e conseguir promoção pessoal. Os policiais continuaram mantendo contato por telefone e rondando a casa de R. a espera do dinheiro.
O grupo só teria desistido na segunda-feira de manhã quando as vítimas procuraram a delegacia e o Fórum para denunciar o que estava ocorrendo. Ângela Zanoni registrou queixa na delegacia contra o abuso dos policiais. Longo informou ontem que seus clientes vão ingressar com uma representação criminal e uma ação civil por danos morais.
Cópias das denúncias feitas à delegacia de Polícia e ao batalhão da Polícia Militar de Cruzeiro do Oeste foram entregues ontem em Umuarama ao vice-governador Orlando Pessuti, que visitou o Show Tecnológico. Pessuti adiantou que solicitaria providências imediatas.
O Batalhão de Cruzeiro do Oeste também já instaurou inquérito para apurar o envolvimento de PMs no caso. Ontem à tarde, o delegado-chefe da 7 Subdivisão Policial de Umuarama, Marcolino Aparecido da Costa, também enviou cópias da denúncia para a Delegacia-Geral de Polícia em Curitiba. Pereira poderia ser afastado do cargo ontem mesmo. A Folha procurou o delegado, mas não conseguiu localizá-lo.


