Ney de SouzaAs testemunhasGregório dos Santos, Silvio Vieira, Olmar Klich e Maria de Lourdes, mulher de Durval, desaparecido O pedreiro Gregório Alves dos Santos e o sacoleiro Silvio Vieira, duas das principais testemunhas da ação policial na Favela Monsenhor Guilherme em Foz do Iguaçu que resultou na morte de quatro rapazes, denunciaram ontem que os oito agentes da Polícia Civil que participaram da operação não foram afastados da cidade e estão exercendo pressão para que mudem os depoimentos. Os dois mantiveram a versão de que os jovens foram executados.
As testemunhas desmentiram a informação do delegado-geral da Polícia Civil Arthur Braga, que os agentes haviam sido recolhidos à Divisão do Interior, em Curitiba. Uma das testemunhas, o carpinteiro Durval Messias, está desaparecida desde domingo. Na operação no dia 10 de outubro, foram mortos Eli de Oliveira, 19 anos; Ademilson Dias de Mattos, 17; Arnaldo Oziel Mongelos, 16; e Giovane Medina, 15.
A operação foi comandada pelo delegado Antonio Donizete Botelho e teve a participação dos policiais Hugo Vidal Ferreira junior, Luis Carlos dos Santos, Celso Geraldo Bueno de Carneiro, Luis Carlos Dorial, Paulo Roberto Saucedo, Francisco Carlos Cogrossi, Pedro Isac Nemecek e Fioravante Beruchon dos Santos.
O sacoleiro Vieira e o pedreiro Santos denunciaram ao Centro de Direitos (CDH) e ao Ministério Público - que está fazendo uma investigação paralela à Polícia Civil - que os policiais estão participando das audiências na sindicância interna. ‘‘A Polícia Civil anunciou o afastamento dos agentes, mas eles participam dos depoimentos e rondam as casas das testemunhas como uma forma de coagir’’, denunciou o presidente do CDH, Romeu Olmar Klich.
Segundo as testemunhas, dos oito policiais que participaram da operação, pelo menos quatro estavam presentes durante os depoimentos ao delegado corregedor Carlos Roberto Moreno. ‘‘Cheguei a ficar sozinho em uma sala com eles sem o delegado. Um deles me pediu para limpar a barra’’, denuncia Viera. Ele disse que não sai de casa há quase dois meses, desde quando foi arrolado como testemunha.
Santos disse que o policial Fioravante chegou a lhe oferecer uma carona desde o 1º Distrito Policial (zona leste da cidade) até a sua casa. Para o presidente do CDH, a presença dos policiais é uma forma de intimidar.
O delegado Carlos Roberto Moreno foi procurado pela Folha para falar sobre o assunto, mas não foi localizado. Segundo os policiais do 1º DP, ele estaria comandando investigações sobre o caso.
O assessor do delegado-geral da Polícia Civil, Luiz Gilmar da Silva, disse que ‘‘é comum os policiais acompanharem as testemunhas e que a retirada deles da sala é de competência do delegado que preside o processo ou pode ser solicitado pelas próprias testemunhas’’. Silva disse, ainda, que os policiais estão afastados da função, mas isso não impede que eles viajem para Foz do Iguaçu.
Porteção O CDH e o Ministério Público pediram a interferência do Ministério da Justiça na proteção das testemunhas. O promotor José Geraldo Gonçalves, que preside as investigações paralelas, solicitou que a Procuradoria-Geral da República no Paraná acione a Polícia Federal para proteger as testemunhas.

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