Policiais são condenados por crime de extorsão
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sexta-feira, 26 de março de 1999
Valmir Denardin 
O juiz da 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu, Eduardo Sarrão, condenou os policiais civis Mário Beraldo Neto, de 45 anos, e Isaltino Zeni Santana, de 37, a quatro anos e três meses de prisão. Os dois são acusados de concussão (extorsão cometida por funcionário público no exercício de suas funções) e abuso de autoridade.
No dia 24 de junho de 97, Beraldo Neto e Santana foram presos em flagrante pela Polícia Federal, no momento em que o comerciante Eraldo Bezerra Cavalcanti, de 46 anos, entregava a eles R$ 17 mil. Os dois policiais teriam forjado um flagrante de tráfico de drogas e exigido R$ 20 mil para livrar o comerciante da prisão.
Parte desse dinheiro - R$ 3 mil - teria sido paga aos policiais no momento da prisão ilegal. Para armar o flagrante, ocorrido no dia 20 de julho, os policiais teriam colocado uma pequena quantidade de maconha no estepe da Chevy 500 utilizada pelo comerciante. Cavalcanti chegou a ficar preso durante uma noite no 5º Distrito Policial (DP), onde os policiais trabalhavam, sem que tivesse sido registrado qualquer auto de prisão contra ele.
O então delegado dessa unidade, Paulo Renato Caldas, também denunciado no processo, foi absolvido. Segundo a denúncia do Ministério Público, Caldas sabia da extorsão e teria sido conivente com os dois policiais. Quando surgiram as denúncias, o delegado foi transferido. Nesse processo, Caldas também é acusado de abuso de autoridade - crime pelo qual ainda não foi julgado.
Beraldo Neto e Santana foram condenados a quatro anos de prisão, em regime semi-aberto, pelo crime de concussão, e a mais três meses, em regime aberto, por abuso de autoridade. Os policiais poderão recorrer da sentença ao Tribunal de Justiça do Paraná. A Folha não conseguiu localizar ontem os dois policiais condenados, que atualmente estão em liberdade, e nem seus eventuais advogados.


