Policiais são
acusados de
torturar PMs
Lucinéia Parra
O deputado estadual Emerson Nerone (PSN) apresentou denúncia de tortura à Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Paraná. Conforme a denúncia, quatro policiais militares lotados no 4º Batalhão da Polícia Militar de Maringá, acusados de roubo e formação de quadrilha, teriam confessado o crime após sessão de tortura física e psicológica e prisão ilegal.
Os policiais militares Adelino Gomes de Moraes, Carlos Osmar Alves, José Berto da Silva Filho e Paulo Lucas de Lima foram presos em Maringá no dia 17 de março pelo grupo Águia da Polícia Militar e por integrantes do grupo reservado P2, do 4º BPM. Os quatro foram acusados de formação de quadrilha de furto de carros.
O soldado Carlos Osmar Alves foi acusado de ser o chefe da quadrilha e os demais seriam responsáveis por levar os carros furtados até o Paraguai. De acordo com o ex-comandante do 4º BPM, tenente coronel Alberto Augusto da Silva, a quadrilha teria sido responsável pelo furto de aproximadamente 30 carros nacionais e importados desde outubro do ano passado.
Na denúncia formulada à OAB, Nerone afirma que, por não haver provas do crime, os quatro policiais foram algemados e transferidos para o Quartel General da PM em Curitiba, onde foram torturados por integrantes do Grupo Águia da capital.
Nerone diz que os próprios policiais torturados registraram declaração em cartório onde relatam como se deu a sessão de choques e espancamentos. O policial Paulo Lucas de Lima, conforme a denúncia, teria ficado com sequelas comprovadas por exames realizados em hospitais de Maringá.
Lima teria fraturado o osso esterno (na altura do peito) e estava com ruptura de tímpano no ouvido esquerdo. Os ferimentos não foram comprovados pelo exame médico feito no Instituto Médico-Legal de Maringá, mas os quatro policiais alegam que o laudo teve como base apenas um interrogatório que foi realizado na presença dos policiais do Grupo Águia.
Na declaração dos policiais que serviu de base para a denúncia do deputado, os quatro PMs apontam como torturadores o tenente Tavares, o sargento Martins e o major Neves, todos de Curitiba. Ainda segundo os policiais, as declarações de confissão de roubo e formação de quadrilha foram assinadas depois de sessões de tortura sob pressão do ex-comandante do 4º BPM e do capitão Sestito.
O comandante do Policiamento do Interior, coronel Valdemar Kretschmer, encaminhou uma nota de esclarecimento ao atual comando do 4º BPM, afirmando que os fatos denunciados pelos policiais e apresentados na OAB pelo deputado Emerson Nerone, ‘‘são distorcidos e não retratam a realidade’’.
De acordo com a nota, o sargento Paulo Lucas de Lima, teria sofrido no dia 11 de março, por volta das 23h30, um acidente automobilístico no trevo de Uniflor (49 quilômetros de Maringá). Ele teria sofrido ferimentos e foi internado no Hospital Santa Rita, em Maringá. Lima, segundo a nota, ficou 15 dias de licença e os ferimentos relatados por ele são consequências do acidente.
Os quatro policiais, conforme o 4º BPM, estão presos no Batalhão Polícia de Guarda, em Curitiba. Eles estão sendo avaliados pelo Conselho de Disciplina da PM e poderão ser expulsos da corporação. A Folha não conseguiu falar com o deputado Emerson Nerone ontem.

mockup