Policiais são acusados de extorsão
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quarta-feira, 29 de agosto de 2001
Ellen Taborda<BR>De Curitiba 
Um delegado e quatro investigadores da Polícia Civil do Paraná são acusados pelo Ministério Público de extorquir e sequestrar um empresário espanhol. Dois dos policiais já foram presos e os outros três estão foragidos.
O empresário Manoel Angel, 53 anos, da província de CoruÀa, na Galícia, vinha ao Brasil regularmente para cuidar da madeireira que possui em Telêmaco Borba (128 quilômetros ao norte de Ponta Grossa). No último dia 26 de maio, ele foi abordado por policiais de Curitiba e Telêmaco Borba assim que desembarcou no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
De acordo com o promotor Domingos Thadeu Ribeiro da Fonseca, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), o empresário foi levado até a sede do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), em Curitiba, onde ficou preso durante todo o dia, sob a falsa acusação de tráfico de drogas. ''Eles disseram ao empresário que ele era suspeito de participar de uma quadrilha de traficantes espanhóis presa em São Paulo.''
Os policiais teriam roubado US$ 8 mil que ele trazia na carteira e o passaporte. Ainda exigiram mais R$ 500 mil para livrá-lo da acusação de tráfico. No final do mesmo dia, Angel foi liberado e viajou para Telêmaco Borba. Durante um mês, o empresário foi pressionado pelos policiais até que entregou a eles quatro cheques pré-datados de R$ 50 mil. Orientado pelo Ministério Público local, Angel procurou a ajuda da PIC, em Curitiba, há cerca de duas semanas.
Teriam participado do esquema de extorsão, segundo a ação penal movida pela PIC, o delegado de Telêmaco Borba, Edson Casagrande, e mais dois investigadores do município, Diva Cabral e Valdemir de Moura Jorge. Os dois últimos foram presos na terça-feira e ouvidos ontem pela PIC. Ainda são acusados de participação o investigador do Cope, Luiz Carlos Del Nero e outro policial ainda não identificado, conhecido como Marquinhos. Todos estão com prisão provisória decretada, para investigação.
Segundo outro promotor da PIC, também encarregado das investigações, Paulo José Kessler, todo o esquema foi armado a partir de informações, conseguidas em Telêmaco Borba, de que o empresário estava chegando ao Brasil com dinheiro para aplicar na madeireira. Angel viajou para a Espanha na última sexta-feira, porque o visto tinha expirado. Ele deve voltar ao Brasil dentro de um mês para acompanhar o andamento do processo.


