Cascavel - Dois policiais militares de Cascavel são acusados de terem executado com dois tiros o caminhoneiro Ivo Somensse, 33 anos. O homicídio aconteceu no sábado à noite, mas somente ontem o crime foi divulgado depois que a família procurou a imprensa. Os dois policiais já se apresentaram ao comando do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), mas contaram outra versão para a morte do homem.
Segundo Elizabete Somensse, mulher da vítima, toda a confusão começou depois que seu marido decidiu descarregar um revólver que estava em seu caminhão. Após jantar, o caminhoneiro foi para a frente de sua casa e disparou contra o chão. Seu pai, que mora na casa ao lado, saiu preocupado achando que era uma briga entre o casal e tomou-lhe a arma.
A viúva disse que os dois policiais, identificados como cabo Dirceu Assis Nascimento e soldado Luiz Carlos Soares dos Santos, que estavam na Associação dos Praças do Sexto Batalhão, localizada ao lado da casa da vítima, escutaram os tiros e chamaram Somensse, aparentemente, para conversar. ‘‘Quando chegou na cerca um deles deu dois tiros no peito dele. Ele morreu como um passarinho de peito aberto’’, lamenta.
Familiares da vítima garantem que antes de atirarem em Somensse, os policiais já haviam se envolvido em outra confusão durante uma partida de futebol. ‘‘Eles agrediram dois meninos que estavam jogando contra eles. Depois mataram meu filho que não fez nada. Agora eu quero que seja feita justiça’’, afirmou Emílio Somenss, pai da vítima.
Os dois policiais que estavam foragidos desde o dia do crime se apresentaram ontem no 6º BPM, acompanhados de advogados. Durante seu depoimento, Assis disse que Soares foi o responsável pelos disparos que mataram o caminhoneiro. Ele completou que Somensse estava bêbado e que estava quebrando toda a casa, por isso decidiram intervir.
O policial confirmou que Somensse foi chamado até a grade da Associação dos Praças, mas garante que a vítima apontou uma arma para eles quando se dirigia ao local. Já Soares assumiu a autoria dos disparos, entretanto falou que atirou em legítima defesa.
De acordo com o comandante do 6º BPM, tenente-coronel Antônio Amauri Ferreira de Lima, os dois responderão pelo homicídio somente na Justiça Comum, pois estavam de folga. Ele acrescentou que, apesar de não saber se daria tempo, o procedimento correto teria sido chamar uma equipe que estivesse de serviço no momento. Apesar de confessarem o crime, os policiais continuarão trabalhando internamente no batalhão.

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