Curitiba Centenas de policiais civis ocuparam ontem as galerias da Assembléia Legislativa do Paraná para reivindicar reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Os manifestantes alegaram que não há revisão dos ganhos há mais de dez anos e que há sobrecarga de serviço, devido à defasagem do efetivo.
''Há uma tabela da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) para reajuste de salário dos policiais civis e queremos que ela seja aplicada. Também queremos abertura de concurso público, para atenuar o excesso de trabalho. Nas delegacias, há desvio de função, pois temos que cuidar de presos, atribuição que não é da Polícia Civil'', afirmou Ademílson Alves Batista, presidente do Sindicato dos Policiais Civis na região de Londrina.
A sessão de ontem da Assembléia foi interrompida quando os policiais entraram nas galerias do plenário. O presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), pediu que eles fizessem silêncio. Como resposta, um dos manifestantes gritou: ''Cala a boca, Hermas''. O presidente então decidiu suspender a sessão. Os manifestantes ainda permaneceram por mais alguns minutos na Casa. Alguns chamaram os deputados de ''covardes''.
O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, compareceu à Assembléia para tentar convencer os policiais civis a aguardarem uma mensagem do governo. Após a reunião, a assessoria da liderança do governo na Assembléia informou que um estudo sobre o reajuste salarial da corporação está pronto e que o encaminhamento de uma proposta depende de análise da Secretaria de Estado da Fazenda, que irá avaliar o impacto orçamentário da revisão dos ganhos.
Os policiais se comprometeram a não paralisar os serviços até o final da semana que vem. Até lá, o governador Roberto Requião (PMDB) deve dar uma resposta sobre as reivindicações.
No fim da tarde, a Sesp comunicou, em nota oficial, que equipes técnicas do governo estão estudando a possibilidade de um novo concurso para contratação de policiais civis. Informou também que até o final de 2006 serão disponibilizadas 11 mil novas vagas em cadeias públicas para solucionar o problema de superlotação nas delegacias.

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