Policiais reagem contra declarações de procurador
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sexta-feira, 14 de novembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoReaçãoWilson Villa, da UPC, Vitenberg Gomes, do Sinclapol, e o advogado Carlos Costa: nota de repúdioO presidente da União da Polícia Civil do Paraná (UPC), Wilson Villa, disse ontem que o procurador federal em Cascavel, Celso Antonio Três, será interpelado diretamente por referências espúrias, infundadas e levianas contra quatro agentes acusados de extorsão de compristas. Segundo Villa, a entidade deverá ingressar com representação na Corregedoria da Procuradoria da República. A UPC está revoltada com o termo delinquentes usado pelo procurador e a afirmação de que policiais civis atuam em rodovias quase sempre para extorquir.
A reação da entidade ocorre em conjunto com o Sindicato das Classes Policiais Civis (Sinclapol), cujos dirigentes estaduais estiveram em Cascavel para se solidarizar com os agentes acusados. Villa e Vitenberg Gomes Mendes, presidente do Sinclapol, divulgaram uma nota de repúdio. A denúncia de extorsão foi feita sábado por 22 compristas de Minas Gerais, que retornavam do Paraguai em um ônibus e foram barrados pelos agentes.
Segundo depoimentos dos compristas ao procurador e à Receita Federal, os policiais pediram inicialmente R$ 5 mil para liberá-los. Em seguida, reduziram o valor para R$ 2 mil. Os compristas se recusaram a pagar a quantia exigida. O procurador informou que foram identificados os agentes Gilberto Ardanez, Nelson Moraes e Paulo Vieira, faltando identificar o quarto policial. Ele ressaltou que ações nas rodovias são responsabilidade das polícias Rodoviária e Militar e Receita. Segundo as afirmações do procurador, policiais civis usam a desculpa de procurar armas e drogas geralmente para fazer extorsão.
Os dirigentes da UPC e do Sinclapol argumentam que os compristas comprovadamente praticavam crime de descaminho, enquanto a denúncia de tentativa de extorsão que fizeram ainda é investigada. Desta forma, analisam os dirigentes, os agentes não poderiam ser taxados de delinquentes e submetidos à execração pública. Segundo Villa, o procurador também acusou de forma genérica todos os policiais e a própria Polícia Civil foi jogada contra a população. O advogado Carlos Airton Costa, assessor das entidades, acrescenta que os agentes foram condenados sem defesa e sem terem sido julgados.
Os representantes da UPC e do Sinclapol também sustentam que o procurador exorbitou em suas funções, ao ameaçar com inquérito da Polícia Federal toda vez que receber denúncia de que agentes da Polícia Civil tenham barrado ônibus de compristas em rodovias, e por responsabilizar delegados que comandam os policiais. O chefe da 15ª SDP de Cascavel, Osnildo Carneiro, não comentou a ameaça do procurador.
Os agentes acusados também não se pronunciaram. Primeiro a gente vai provar os fatos, limitou-se a dizer Nelson Moraes. O procurador disse que mantém as afirmações feitas por ele e pediu à Polícia Federal investigação sobre os crimes de extorsão e facilitação ao contrabando. Ele justifica que os agentes liberariam os compristas e suas mercadorias se recebessem dinheiro. Paralelamente, a Corregedoria de Polícia Civil enviou ontem para Cascavel o delegado especial Décio Jorge de Almeida, para investigação preliminar do caso.


