Policiais reagem à permanência de interventor na AT
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segunda-feira, 05 de maio de 1997
Da Sucursal 
Desde que sofreu intervenção, em 11 de dezembro, a Delegacia de Antitóxicos vive uma fase marcada por uma experiência inédita: a presença permanente de um representante do Ministério Público. A novidade, embora prevista na Constituição - que dá ao MP a incumbência de fazer o controle externo da polícia judiciária - enfrenta grandes resistências no meio policial civil. Não sou bem visto pela maioria dos meus colegas, diz o delegado interventor, Adauto Oliveira.
A primeira reação oficial partiu do presidente da Associação dos Delegados de Polícia, João Ricardo de Noronha, através de uma carta enviada ao diretor geral da Polícia Civil, Toleb Baleche. Na carta, Noronha diz que a presença de um promotor de Justiça na Antitóxicos representa uma ingerência sobre a polícia e coloca o Paraná na situação de vergonha nacional.
Tentando minimizar a divergência notória entre as duas instituições, Baleche tem insistido em negar a existência da carta, confirmada pelo próprio Noronha.
Mas, na semana passada, o delegado Oliveira preparava uma resposta, na qual critica Noronha e ressalta as vantagens da presença do promotor na delegacia.
Uma delas é a agilização na concessão de medidas de ordem cautelar, como buscas e apreensões, quebra de sigilo telefônico e prisões temporárias. O promotor também acompanha diligências, evitando, por exemplo, falsas denúncias de espancamento e flagrantes forjados, que podem fragilizar a acusação. Segundo o delegado Oliveira, mais de 100 dos 130 traficantes presos nos últimos cinco meses continuam detidos, graças a provas mais técnicas.
Desde dezembro, a Antitóxicos apreendeu sete quilos de maconha e um de cocaína. Temos em curso cinco ou seis investigações que devem resultar em grandes apreensões, mas o meu principal objetivo foi moralizar a delegacia, afirma Oliveira.
Desde que assumiu, ele já afastou quatro investigadores e um escrivão da nova equipe. O delegado diz que formar uma equipe de confiança é muito difícil, porque a Antitóxicos é uma delegacia altamente corrompível: Em qualquer outro crime, você pode contar com a denúncia da vítima, mas no tráfico o acerto interessa a todos.


