Policiais que mataram rapazes são denunciados
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quinta-feira, 31 de dezembro de 1998
Edna Mendes 
A Promotoria de Justiça de Foz do Iguaçu denunciou anteontem, por homicído doloso (intencional), os nove policiais civis que mataram, em outubro do ano passado, na Favela Monsenhor Guilherme, durante suposta ação policial, quatro rapazes, sendo três menores de idade. Dos oito promotores que investigam o caso, apenas o promotor Cândido Furtado Maia Neto não assinou a denúncia.
De acordo com o Ministério Público, os policiais cometeram crimes com crueldade, torpeza e emprego de recursos que dificultaram a defesa das vítimas. Os promotores entenderam que houve uma verdadeira carnificina humana.
Os jovens Eli de Oliveira, 19 anos, Giovani Medina, 15, Ademilson Dias Matos, 17, e Arnaldo Oziel Mongelos, 16 anos, foram mortos quando os oito policiais civis, comandados pelo delegado Donizete Botelho, realizavam uma operação na favela.
Segundo a versão da polícia, um telefonema anônimo teria denunciado que estaria acontecendo um tiroteio na favela entre grupos rivais que comandam o tráfico de drogas no bairro. A polícia assegura que os rapazes pertenciam a uma quadrilha de traficantes e que foram mortos durante troca de tiro com policiais. Testemunhas desmentem esta versão e afirmam que os rapazes foram executados depois de algemados. Nenhum policial foi ferido.
O documento do Ministério Público que denuncia os policiais foi protocolado na 3ª Vara Criminal e deve ser analisado nas próximas semanas pelo juiz Eduardo Casagrande Sarrão. Se os policiais forem condenados eles podem pegar de 12 a 30 anos de prisão. No documento, os promotores relacionaram, ainda, 14 testemunhas do crime.
Os policiais denunciados são Hugo Vidal Ferreira Junior, Luís Carlos dos Santos, Celso Geraldo Bueno Carneiro, Luís Carlos Dorial, Paulo Roberto Saucedo, Francisco Carlos Cogrossi, Pedro Isac Nemecek, Fioravante Beruchon dos Santos e o delegado Botelho. Logo após o episódio, o grupo foi afastado temporariamente do serviço externo. Atualmente, a maioria continua trabalhando na região de Foz do Iguaçu e o delegado Botelho trabalha em Cascavel.
Na semana passada, a mãe de Giovani, Sonia Medina, 33 anos, também foi assassinada na favela. Ela foi executada com três tiros por um garoto de 13 anos. O menor fugiu após o crime. Segundo Rosana Medina, irmã de Sonia, ela estava alcoolizada e sob efeitos de crack quando foi morta.
Em outubro, quando a morte dos rapazes completou um ano, Sonia organizou um culto no local da execução. Frequentemente ela procurava informações na imprensa e na Justiça sobre as investigações.


