Policiais presos por cobrança de propina
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
A Polícia Civil de Londrina e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ouviram ontem um investigador da polícia e um auxiliar de carceragem presos por suspeita de corrupção e concussão. Luiz Carlos Cardoso, policial há 25 anos, e Luciano Romero Melquíades, que trabalha na carceragem da 10ªhá mais de dois anos, tiveram a prisão preventiva decretada por suposta extorsão e proteção a produtores e distribuidores de mídia pirata. Cardoso foi preso pelo próprio chefe da 10ªSubdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, na tarde de quinta-feira. Ele trabalha como investigador no 2º Distrito Policial.
A suspeita é de que inicialmente houve extorsão, e depois era cobrado um pedágio para dar proteção a produtores e distribuidores de mídia pirata. Essa proteção se daria através de avisos antes das operações policiais, explicou Barroso, em entrevista coletiva que também contou com a participação do promotor Cláudio Esteves e do delegado Alan Flore. Cardoso e Melquíades prestaram depoimento na sede do Gaeco ontem de manhã, e, segundo Barroso, nenhum dos dois confessou.
As prisões têm relação com a prisão, na sexta-feira passada, de Marcos André Alves Ferreira, considerado o maior fabricante de CDs e DVDs piratas do Norte do Estado. Mas não podemos explicitar que relação é essa para não prejudicar as investigações, alegou Esteves. Segundo ele, por enquanto a suspeita é que a atuação era apenas em Londrina, e também não é possível informar se há mais envolvidos, ou quantas e quem seriam as supostas vítimas.
As investigações começaram há três meses, após denúncias e comentários de que policiais estariam cobrando propina de pessoas que atuam nesse segmento. Além das conseqüências penais, Cardoso e Melquíades devem sofrer também sanções administrativas. O caso já foi encaminhado para a corregedoria da polícia.
Barroso considerou que, após dois anos e oito meses à frente da 10ªSDP, o primeiro caso envolvendo uma possível corrupção policial foi uma surpresa. Não apenas surpreende, como eu lamento o desgaste à imagem da instituição. Mas, por outro lado, isso mostra que nós não toleramos esse tipo de comportamento, afirmou.
O delegado sugeriu ainda que pessoas que já tenham sido vítimas aproveitem a ocasião para denunciar à polícia e colaborar com as investigações. Mas também admitiu que é difícil alguém que trabalha na ilegalidade ir em busca da polícia para fazer uma denúncia que também pode significar uma confissão. As pessoas já autuadas e que tenham sido abordadas pelo policial podem contribuir. Vale lembrar que existe a delação premiada, em benefício ao réu que colabora com a justiça.


