Curitiba

Marcelo AlmeidaVersão apresentada pelos militares que mataram o menino é diferente do relato de testemunhas da ação policialA Polícia Militar do Paraná abriu ontem um inquérito para apurar se os policiais que mataram o adolescente Paulo Rodrigues Lourenço, de 14 anos de idade, agiram de maneira precipitada. A operação, coordenada pela Companhia de Choque, aconteceu na terça-feira à tarde, no bairro Alto Maracanã, em Colombo, na Grande Curitiba.
Os policiais avistaram a motocicleta conduzida por Paulo Lourenço e constataram que se tratava de um veículo suspeito - uma moto com as mesmas características (uma DT 180, branca, da marca Yamaha) estava sendo procurada pela polícia no bairro Vila Hauer, em Curitiba.
Segundo a versão dos policiais que participaram da operação, as viaturas ligaram as sirenes e tentaram abordar o condutor da moto. De acordo com eles, Paulo Lourenço seguiu em alta velocidade, sacou um revólver e apontou em direção aos policiais.
Os integrantes da Companhia de Choque disseram ter disparado antes que o menino atirasse. A polícia acredita que a mesma bala que atingiu Paulo Lourenço também feriu Marcelo Santos Agner, que estava na garupa da motocicleta.
Marcelo AlmeidaPouco antes de ser assassinado, Paulo foi fotografado por um amigo
Até ontem à tarde, Marcelo estava internado no Hospital Cajuru mas, segundo informações da enfermaria, não corria risco de vida.
A versão contada pelos policiais que participaram da operação difere da história contada pelas testemunhas e pela família de Paulo Lourenço.
Durante o velório, que reuniu dezenas de amigos e familiares do adolescente, o clima era de indignação. A empregada doméstica Soeli Fernandes da Silva, que testemunhou a perseguição dos policiais, afirma que os meninos não carregavam armas.
No momento da perseguição, Paulo estava sem camisa e vestia uma calça de moleton. ‘‘Era impossível ele estar carregando um revólver. Isso foi armação montada pela polícia’’, declara o pai de Paulo, Joel Rodrigues Lourenço.
Ele reconhece que o filho estava em situação irregular: não tinha carteira de habilitação para dirigir a moto, estava sem camisa e sem capacete. Apesar disso, não entende o motivo da violência.
Marcelo AlmeidaPurificação: cabo e soldados estão afastados, mas não foram detidos
Segundo o comandante da Companhia de Choque, Rui Rota da Purificação, o cabo Ledugério e os soldados Ribeiro e Platner - que participaram da operação - estão afastados das atividades de rua, mas não foram detidos.

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