Os quatro policiais acusados do assassinato dos evangélicos Samuel dos Santos, de 19 anos, e Antônio Marcos da Rocha, de 22 anos, no dia 7 de fevereiro, serão julgados por júri popular. O Ministério Público fará denúncia contra os acusados hoje, numa das onze varas criminais de Curitiba, por dolo eventual e dolo direto.
Até agora, apenas Siumar Antônio da Silva, do 13º Batalhão, confessou o assassinato. Silva está na Prisão Provisória do Ahu. Os policias Waldinei Venith, Wilson Bento e Ariel José Farias - também do 13º Batalhão - negam ter participado. Eles estão apenas afastados do serviço externo do 13º Batalhão, mas a promotora Rosângela Gaspari diz que ainda podem ser presos no decorrer do processo.
No dia 7, os quatro policiais estariam à procura de um grupo de assaltantes que teria ido em direção à Vila Conquista. Silva e Bento foram até o Monte Santo, local do bairro muito frequentado por evangélicos à noite. Logo depois, teria chegado outro carro com Venith e Farias. Silva teria atirado contra Santos com uma espingarda calibre 12 e perfurado o pulmão e o coração do rapaz. Ele diz ter confundido Santos com um dos assaltantes. ‘‘Ele agiu sem cautela, não usou nenhuma das técnicas de abordagem que aprendeu e que são obrigatórias’’, diz a promotora. ‘‘Além disso, não deveria ter atirado porque nenhuma das vítimas teve reação violenta para justificar os disparos.’’
Quando Silva se deu conta de que tinha matado o evangélico, ele, Venith e Farias teriam acertado para matar o outro. O tiro calibre 38, que atingiu a cabeça de Rocha, também foi disparado por Silva. ‘‘Ele alega ter atirado para cima, mas o revólver 38 exige precisão e mira’’, diz a promotora.
Outros indícios do crime seriam o fato de os policiais não terem comunicado à corporação os tiros dados para e de terem lavado o veículo que teria levado os corpos. Bento participou apenas da ocultação dos cadáveres, que foram jogados na Represa do Passaúna.

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