O dia 15 de maio marca também o aniversário de um ano de outro protesto histórico promovido pelos policiais militares de Londrina. Naquele dia, durante uma palestra de motivação promovida pelo comando do 5º Batalhão da P M, no auditório do Cine Teatro Com-Tour, 350 policiais deram às costas ao então comandante, tenente-coronel Robenson Máximo Fim, assoviando e gritando palavras de ordem, em apoio ao movimento das mulheres, que começava no mesmo dia e horário. Dispensados pelo comando, vários policiais foram até a frente do batalhão dar apoio às esposas.
O protesto e a presença de policiais à paisana no movimento das mulheres resultou na instalação de dois inquéritos policiais militares (IPM), abertura de vários procedimentos disciplinares e indiciamento de pelo menos 160 policiais pelos crimes de motim, omissão de lealdade militar, aliciação para motim ou revolta, incitamento, recusa de obediência e injúria.
Segundo a advogada Nohad Abdallah, que fez a defesa de cerca de 80% dos policiais indiciados, os processos foram um dos desmotivadores para a continuidade do movimento. ‘‘Os maridos não querem mais que as mulheres se envolvam porque sofreram muito durante as oitivas. Mas isso acontece até porque eles desconhecem o resultado dos procedimentos. O comando não fez questão nenhuma de divulgar’’, apontou.
Segundo Nohad, os dois IPMs foram arquivados depois que o promotor da auditoria da Justiça Militar analisou o caso e não apresentou a denúncia. A advogada disse ainda que o promotor Misael Duarte Pimenta Neto pediu o arquivamento do inquérito em novembro, por ‘‘considerar a manifestação dos soldados uma causa justa’’.
Para a advogada, é preciso reconhecer o trabalho justo e detalhado que o coronel Gilberto Kummer (que presidiu o IPM sobre o episódio do Com-Tour) fez. ‘‘Além da praça, ele também indiciou os oficiais presentes no local, inclusive o comandante do batalhão na época, tenente-coronel Fim.’’

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