Policiais fazem treinamento sobre táticas
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terça-feira, 28 de novembro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
Uso de escudos em entradas táticas, deslocamento de emergência utilizando viaturas descaracterizadas, entradas silenciosas em edificações e resgate de reféns em cativeiro. Estas são algumas das instruções que estão sendo repassadas a policiais militares, federais, civis e do Exército em cursos que estão sendo desenvolvidos na Tees Brazil (empresa americana especializada em táticas policiais), em Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba.
Atualmente, 22 policiais participam dos cursos, que duram entre três e quatro dias e custam cerca de R$ 300,00 por dia. As aulas são ministradas por instrutores americanos, com passagem pela Rangers e SWAT. Trazemos a experiência americana e adaptamos à realidade do Brasil, que é muito mais violenta, afirmou o instrutor Allan Brosnan. De acordo com ele, a violência é crescente no País por causa da falta de treinamento especializado. O problema da violência não é a miséria e a fome. É a falta de preparo dos policiais brasileiros, destacou ele.
O instrutor Kevan Gillies, coordenador brasileiro da Tees, disse que tem recebido cópias de fitas de vídeo com treinamento de presos dentro das penitenciárias brasileiras. As fitas mostrariam imagens dos detentos fazendo treinamento para contra-atacar os agentes penitenciários e promover rebeliões e fugas. O Brasil está muito atrasado em termos de treinamento. Tem que se pensar que a polícia precisa estar na frente do bandido, saber atuar nas situações de emergência. Não se treina o que fazer quando uma abordagem dá errado, argumentou.
A Tees Brazil foi fundada na região de Curitiba há um ano e oito meses e já deu treinamento para cerca de 2,2 mil policiais. Noventa por cento deles são de outros estados e pagam os cursos com dinheiro próprio. Os governos precisam acordar para a necessidade de investir em seus policiais, mas poucos fazem isto, comentou o instrutor. Atualmente, apenas os estados de Santa Catarina e Paraíba financiam cursos para policiais civis e militares. A área de treinamento tem cinco alqueires. Os cursos mais procurados são patrulhamento em locais de risco (favelas) e resgate de reféns.
O soldado Meneses, da Polícia Militar do Rio Grande do Sul, fez diversos treinamentos táticos e tem repassado os conhecimentos adquiridos em cursos. A polícia tem que estar preparada para tudo, salientou.


