Alunos do Colégio Estadual Benjamim Constant, na Vila Portuguesa (Área Central de Londrina), foram revistados pela Patrulha Escolar, na manhã de ontem. Foi uma experiência inédita em vários sentidos: para a escola, onde esse tipo de ação nunca havia sido realizado; para 24 policiais militares que acabam de se incorporar ao projeto; e para a imprensa, à qual a ação foi oficialmente aberta pela primeira vez.
O coordenador estadual da Patrulha Escolar, capitão Valdir Carvalho de Souza, que veio de Curitiba para acompanhar a operação, explicou que os procedimentos feitos no Benjamim Constant espelham a ação da Patrulha exatamente como é realizada em todas as outras escolas de Londrina e mais seis cidades do Paraná.
''Primeiro um oficial vai à sala de aula explicar como deverão proceder: eles têm de juntar o material, colocá-lo sobre a carteira, levantar-se, cruzar os braços e só abri-los quando o policial se aproximar para fazer a revista'', detalhou. Segundo Souza, regras tão específicas servem para organizar a turma e garantir a tranquilidade do trabalho.
Quando chega a hora da revista, os alunos, a maioria adolescentes, reagem com mais gracinhas do que constrangimento. Eles têm o corpo, as vestes e as bolsas vistoriados minuciosamente. ''Não me senti mal, porque estou acostumado. Já perdi a conta de quantas vezes fui revistado na rua, quando saio à noite, na Vila Marízia (onde mora), na Vila Recreio, no (Bar) Valentino. A gente tem que respeitar a lei da polícia. Mas não acho isso muito certo não'', opinou o estudante Fábio da Silva, 18 anos.
''Eu acho bom, para a gente se sentir mais seguro, porque se sai uma briga é perigoso que alguém esteja armado. Mas esse colégio é tranquilo, em comparação com outro onde estudei e vi o pessoal com arma, maconha. Comigo não encontraram nada, porque nem cigarro eu uso'', afirmou Jenilson da Silva, 16. O colega Nildyson Quintana, 15, concordou com a importância das revistas mas aprofundou o discurso:''É comum encontrar drogas, armas com os jovens, porque eles não podem trabalhar, aí procuram roubar. As revistas são um modo de a gente se sentir seguro, mas se não tiver emprego os jovens vão cair de qualquer jeito''.
O diretor do colégio, Dirceu Vivan, explicou que a instituição realizou uma consulta com os pais de alunos logo que a Patrulha Escolar foi implantada em Londrina, e eles foram unânimes em concordar com as revistas. ''O pai quer saber se o filho não está correndo riscos. A escola que falar que não tem problemas de drogas, por exemplo, está mentindo'', assinalou. O Benjamim Constant atende 600 alunos de Ensino Fundamental a Médio. Segundo o diretor, os estudantes pertencem a variadas classes sociais.
Na operação de ontem, não foram encontrados objetos que rendessem intervenção policial, apenas materiais classificados como ''não-didáticos''. Entre eles, um caderno cuja capa ostentava a foto de uma mulher nua. ''Nesses casos, encaminhamos o material para a diretoria, que irá conversar com os pais. Só intervimos quando se trata de drogas, armas de fogo ou armas brancas, como soco inglês e estiletes'', explicou o capitão. Alunos que carregam esse tipo de material podem ser encaminhados a órgãos como o Conselho Tutelar e o Ministério Público.

mockup