Policiais estréiam na Patrulha Escolar
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sexta-feira, 01 de outubro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Alunos do Colégio Estadual Benjamim Constant, na Vila Portuguesa (Área Central de Londrina), foram revistados pela Patrulha Escolar, na manhã de ontem. Foi uma experiência inédita em vários sentidos: para a escola, onde esse tipo de ação nunca havia sido realizado; para 24 policiais militares que acabam de se incorporar ao projeto; e para a imprensa, à qual a ação foi oficialmente aberta pela primeira vez.
O coordenador estadual da Patrulha Escolar, capitão Valdir Carvalho de Souza, que veio de Curitiba para acompanhar a operação, explicou que os procedimentos feitos no Benjamim Constant espelham a ação da Patrulha exatamente como é realizada em todas as outras escolas de Londrina e mais seis cidades do Paraná.
''Primeiro um oficial vai à sala de aula explicar como deverão proceder: eles têm de juntar o material, colocá-lo sobre a carteira, levantar-se, cruzar os braços e só abri-los quando o policial se aproximar para fazer a revista'', detalhou. Segundo Souza, regras tão específicas servem para organizar a turma e garantir a tranquilidade do trabalho.
Quando chega a hora da revista, os alunos, a maioria adolescentes, reagem com mais gracinhas do que constrangimento. Eles têm o corpo, as vestes e as bolsas vistoriados minuciosamente. ''Não me senti mal, porque estou acostumado. Já perdi a conta de quantas vezes fui revistado na rua, quando saio à noite, na Vila Marízia (onde mora), na Vila Recreio, no (Bar) Valentino. A gente tem que respeitar a lei da polícia. Mas não acho isso muito certo não'', opinou o estudante Fábio da Silva, 18 anos.
''Eu acho bom, para a gente se sentir mais seguro, porque se sai uma briga é perigoso que alguém esteja armado. Mas esse colégio é tranquilo, em comparação com outro onde estudei e vi o pessoal com arma, maconha. Comigo não encontraram nada, porque nem cigarro eu uso'', afirmou Jenilson da Silva, 16. O colega Nildyson Quintana, 15, concordou com a importância das revistas mas aprofundou o discurso:''É comum encontrar drogas, armas com os jovens, porque eles não podem trabalhar, aí procuram roubar. As revistas são um modo de a gente se sentir seguro, mas se não tiver emprego os jovens vão cair de qualquer jeito''.
O diretor do colégio, Dirceu Vivan, explicou que a instituição realizou uma consulta com os pais de alunos logo que a Patrulha Escolar foi implantada em Londrina, e eles foram unânimes em concordar com as revistas. ''O pai quer saber se o filho não está correndo riscos. A escola que falar que não tem problemas de drogas, por exemplo, está mentindo'', assinalou. O Benjamim Constant atende 600 alunos de Ensino Fundamental a Médio. Segundo o diretor, os estudantes pertencem a variadas classes sociais.
Na operação de ontem, não foram encontrados objetos que rendessem intervenção policial, apenas materiais classificados como ''não-didáticos''. Entre eles, um caderno cuja capa ostentava a foto de uma mulher nua. ''Nesses casos, encaminhamos o material para a diretoria, que irá conversar com os pais. Só intervimos quando se trata de drogas, armas de fogo ou armas brancas, como soco inglês e estiletes'', explicou o capitão. Alunos que carregam esse tipo de material podem ser encaminhados a órgãos como o Conselho Tutelar e o Ministério Público.


