Policiais envolvidos já estavam sob investigação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de julho de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Os dois policiais civis envolvidos na morte do delegado Jaime Gonçalves de Castro, durante uma operação irregular na última quarta-feira, já são alvos de outras investigações da Corregedoria da Polícia Civil. O delegado corregedor, Paulo Ernesto Araújo Cunha, disse que não pode revelar os motivos das investigações, mas afirmou que não dizem respeito a homicídios nem lesões corporais.
O investigador Paulo Roberto da Silva, de 36 anos, é objeto de três investigações preliminares, uma delas já concluída e enviada ao Conselho da Polícia Civil para julgamento. O outro investigador - Emerson Zeglin, 25 anos, que assumiu a autoria do tiro que matou o delegado - responde a um processo de investigação preliminar. Contra o terceiro integrante da equipe, Luís Kuss - que não estava no carro no momento da abordagem - não há denúncias anteriores, segundo o corregedor.
Segundo Paulo Ernesto, o afastamento de um policial do trabalho durante uma investigação interna depende do fato denunciado. Muitas vezes os policiais são alvos de denúncias improcedentes de marginais, disse. De acordo com o corregedor, só é possível afastar um policial sob investigação quando há materialidade do fato.
No caso da morte de Castro, o afastamento dos envolvidos foi determinado pelo delegado geral da Polícia Civil, Artur Braga. Além do inquérito aberto na Delegacia de Homicídios, os dois responderão a processo disciplinar ou sindicância, por terem usado um carro que não pertence à Polícia Civil.
Ontem o 8º Distrito Policial, onde os dois investigadores estavam lotados, enviou à Corregedoria um relatório explicando que o carro - um Fiat Tipo placas ALB 2800 - foi apreendido de um depositário infiel, com mandado de busca e apreensão. Segundo Paulo Ernesto, o relatório é superficial e faltam documentos que comprovem essa situação.
Mesmo que a apreensão tenha sido legal, isso não isenta os policiais de responsabilidade, porque há uma norma proibindo o uso de carros apreendidos em ações policiais, disse o corregedor. Segundo ele, o delegado do 8º DP, Gutenberg Lino de Oliveira, também será responsabilizado pela irregularidade.
Procurado, o delegado não quis informar se sabia da utilização do carro pelos policiais. Gutenberg chefiava a Delegacia de Antitóxicos em dezembro, quando uma série de irregularidades provocou afastamento de toda a equipe e intervenção na delegacia. Na época, o delegado foi excluído das investigações, porque a direção da Polícia Civil considerou que ele não sabia das irregularidades.
Ontem o delegado Josmair de Camargo, que preside o inquérito policial sobre a morte de Castro, elaborou os quesitos que deverão ser respondidos pela perícia e também tomou depoimentos de algumas testemunhas.


