Policiais e voluntários entram em atrito em BR
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 1998
Mônica Kaseker 
Arquivo FolhaReclamaçãoValeixo: A polícia não pode deixar tudo na mão de subordinadosIntegrantes de uma campanha educativa de trânsito promovida pela Telepar, Pluma e DPaschoal denunciam falta de empenho de policiais rodoviários federais na divulgação do Código de Trânsito Brasileiro. A reclamação vai ser levada pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, Octávio Valeixo até o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em Brasília, com a sugestão de que os policiais, assim como os motoristas, façam cursos de reciclagem. Valeixo sugere ainda que haja fiscalização mais de perto sobre o desempenho dos agentes fiscalizadores de trânsito, que podem colocar em risco o sucesso do Código.
O incidente envolvendo policiais rodoviários federais aconteceu na última sexta-feira no posto da BR-376, região de Contenda, quando seriam distribuídos 25 mil folhetos educativos sobre o Código de Trânsito Brasileiro. Além de causar atraso de uma hora e meia na distribuição do material, que teria apoio da Polícia Rodoviária Federal segundo inscrição no folheto, os policiais teriam menosprezado a campanha. Um dos policiais chegou a dizer que tinha mais o que fazer do que distribuir panfletos. A reclamação foi levada ao desembargador Octávio Valeixo, que estava no local e também presenciou o descaso. Não é possível que no final do século 20 as pessoas fardadas ainda se sintam superiores aos outros, diz Valeixo.
O desembargador Valeixo, que já foi juiz da 1ª Vara de Trânsito de Curitiba e participou da elaboração do novo Código de Trânsito, sugere que haja controle de qualidade sobre o trabalho da Polícia Rodoviária Federal. A polícia não pode deixar tudo na mão de subordinados. É preciso que haja verificação sobre o trabalho deles que é de extrema importância neste momento do Código, enfatiza. Os integrantes da campanha devem levar a reclamação ao superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Paraná, Hélio Cardoso Derene.
Ontem o superintendente não estava trabalhando. Segundo o chefe de Operações da Polícia Rodoviária Federal, Tupi Reinhardt, a corporação ainda não tomou conhecimento do fato, mas depois de ser comunicada por escrito deve averiguar o que houve. Segundo o inspetor Tupi, todos os policiais que atuam no Paraná passaram por treinamento sobre o novo Código. Neste carnaval, 400 policiais estão fazendo a fiscalização em aproximadamente mil quilometros de rodovias. A orientação, segundo ele, é de priorizar a orientação aos motoristas e não as autuações. O maior efetivo está sendo empregado nas BRs 277 e 376, que levam ao litoral do Paraná e Santa Catarina. Só a presença das viaturas já inibe as infrações, garante. No posto policial de Contenda, o patrulheiro contradiz seu superior, dizendo que não está havendo trabalho de orientação aos motoristas e a ênfase é para as autuações de irregularidades.
O assessor jurídico do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), Marcelo Araújo, diz que cabe ao Cetran fiscalizar questões levadas às Juntas de Recursos de Infrações do DER, Detran e Diretran, mas no caso de agentes federais a fiscalização só pode ser feita pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Infelizmente a fiscalização acaba não acontecendo porque o Contran é um órgão muito distante, lamenta. Araújo orienta as pessoas que tiverem reclamações em relação a Polícia Rodoviária Federal a procurarem o Ministério Público.


