O juiz da 6ª Vara Criminal de Curitiba, Luiz Mateus de Lima, proferiu sentença determinando que os policiais acusados de terem participado da trama que envolveu a morte do estudante Rafael Rodrigo Zanella sejam julgados pelo Tribunal do Júri. A sentença coincidiu com o aniversário de Rafael. Hoje, o estudante estaria completando 24 anos.
O delegado Maurício Bittencourt Fowler – na época adjunto do 12º Distrito Policial –, o investigador Daniel Santiago Cortez – ex-superintendente do distrito – e o escrivão do 1º distrito, Carlos Henrique Dias, não sofreram nenhuma punição e continuam trabalhando normalmente. Agora, conforme decisão judicial, serão submetidos a um júri popular.
De acordo com o advogado da família Zanella, Júlio Militão, ainda não se tem nenhuma previsão de quando será o julgamento. ‘‘Agora, o Tribunal de Justiça do Paraná poderá recorrer.’’ Segundo ele, devido à morosidade da Justiça, o julgamento poderá demorar até um ano para acontecer.
Segundo a mãe do estudante, Elizabetha Zanella, com esta decisão do juiz, a família está bem mais confiante na Justiça do Paraná. ‘‘Nós não acreditávamos que eles iriam sentar algum dia no banco dos réus. A Justiça finalmente provou que está fazendo o seu papel. Agora vamos esperar que a sociedade e a polícia façam o seu’’, desabafou.
Rafael, na época estudante do curso de biologia da Faculdade Espírita, foi morto dentro de seu carro, no dia 28 de maio de 1997, com um tiro na nuca. O crime foi próximo ao Farol do Saber em Santa Felicidade, durante uma blitz irregular da polícia. Após terem assassinado o rapaz, os policiais tentaram ainda mudar a cena do crime. O delegado Fowler teria colocado uma arma na calça da vítima e maconha em seu carro.
Os policiais respondem também a um processo administrativo na Polícia Civil e a outros processos por crimes de tortura, denúncia caluniosa, fraude processual e usurpação de função pública.

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