Policiais dizem que PM está mais qualificada
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segunda-feira, 09 de agosto de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Em um século e meio de Polícia Militar no Paraná, histórias de homens e mulheres a serviço da segurança se mesclam com os problemas e com as conquistas vividas na corporação. Do cabo que um dia quis ser padre, passando pelo comandante que entrou para a polícia ''meio por acaso'', até a soldado que várias vezes caiu no choro depois de atender a uma ocorrência, o 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina tem em seu efetivo policiais que acompanharam as transformações da polícia nas últimas décadas e que garantem: ela está mais qualificada.
''O concurso para a academia (Academia Policial Militar do Guatupê, em Curitiba) exige o 2º grau completo, mas hoje em dia, é comum os candidatos apresentarem nível superior, talvez pela atração que a estabilidade do serviço público exerce'', argumenta o comandante do 5º BPM, tenente-coronel Manoel da Cruz Neto. Às vésperas de se aposentar, aos 49 anos (29 anos dedicados à polícia), ele próprio revela que entrou para a PM por enxergar ali ''uma opção de serviço''.
Uma vez admitido na academia, não parou mais. Hoje não tem dúvidas ao afirmar que a PM do Paraná está entre as melhores do País. ''Considero as pessoas da comunidade nossos fregueses, e é nosso papel oferecer um bom produto, que é a segurança.'' É também a qualidade do serviço prestado que lhe fornece argumentos para a espinhosa questão da falta de efetivo: ''Hoje devemos trabalhar com qualidade, e não com quantidade''.
A mesma paixão pela farda é transmitida pelo cabo José Garcia de Oliveira, também prestes a completar 30 anos de ofício. Diferente do tenente-coronel, Oliveira preferiu se qualificar fora da polícia. Hoje está terminando pós-graduação em matemática pela Universidade Estadual de Londrina. A patente ''rasa'' não o incomoda. ''Hoje existe um respeito muito grande pelo ser humano, independente do posto que ocupa. Não em arrependo de nada, adoro o que faço'', afirma.
A mesma dedicação é encontrada na soldado Tânia Márcia Mendonça, 41 anos, 22 deles como policial. Ela faz parte da primeira turma de mulheres PMs do interior do Estado. ''Enfrentamos muito preconceito, na maior parte das vezes dos próprios colegas de profissão. Com o tempo fomos conquistando nosso espaço, sempre com muito tato, mas matando um leão por dia.''
Ao falar das situações enfrentadas no dia-a-dia, ela dá bem a medida do que é a rotina de um PM: ''Precisamos ter um preparo psicológico e controle emocional muito grandes. Quantas vezes em enfrentei uma ocorrência como se fosse uma fera, mas ao chegar em casa, desmoronava e chorava feito uma criança, lembrando de tudo que tinha presenciado.''


