Maringá Os policiais civis Milton Carlos Cinqui e Robinson Rogério Avancini presos e autuados em flagrante, anteontem em Maringá, acusados de concurssão (extorsão de funcionário público), porte de entorpecentes e armas, afirmaram em depoimento que o dinheiro e a droga localizados dentro da viatura foram ''dispensadas'' pelo dono de ferro-velho Evaristo Nunes de Andrade. Os policiais disseram que investigavam Evaristo porque ele é apontado por ladrões de veículos de Londrina como o responsável pelo desmanche de carros e caminhonetas. Os dois estão presos na 9 Subdivisão Policial de Maringá. Eles teriam tentado extorquir o dono do ferro-velho.
Para o advogado dos policiais, Edmar José Chagas, o flagrante foi ''pura armação'' favorecendo Evaristo que, há tempos, vem ''limpando os carros de Londrina''. ''Ele (Evaristo) armou para os policiais e nisso a malandragem só cresce em Londrina'', disse Chagas. Segundo o advogado, os policiais tentavam obter de Evaristo nomes de pessoas envolvidas em quadrilhas de furto de veículos, principalmente, caminhonetas. ''Foi Evaristo quem ligou oferecendo dinheiro porque os policiais estavam no encalço dele para as investigações'', disse Chagas.
A denúncia de concussão contra os policiais foi feita por Evaristo ao Ministério Público. O MP teria gravado o flagrante e o repasse de R$ 2,5 mil em notas de R$ 50,00 aos policiais. As notas foram fotocopiadas. A Folha tentou ontem falar com o promotor Laércio Januário de Almeida, um dos responsáveis pelo caso, mas ele se recusou a dar entrevistas.
No depoimento, os policiais afirmam que no momento da prisão, um grupo de policiais militares apareceu com o dinheiro e um punhado de drogas. O advogado de Evaristo, Miguel Morales, disse ontem que não há nenhuma acusação formal contra o seu cliente. Morales confirmou que as investigações contra Evaristo se intensificaram a partir da prisão em flagrante feita no final de agosto. Dois barracões de propriedade de Evaristo foram fechados e a polícia o indiciou por receptação.
Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil de Londrina prendeu em flagrante E.W.S. que afirmou ser empregado de Evaristo e que seu ''patrão'' lidava com desmanche de veículos furtados. Evaristo também responde a ações por ameaças e estelionato e no 3º Distrito Policial de Maringá tramita um inquérito desde 1998 por causa do desaparecimento do sócio em uma loja de auto-peças, Benedito Elvécio Barbosa.

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