Reivindicando melhores salários, policiais civis do Estado decidiram, anteontem, em assembléia, ficar em estado de greve. Mas baixo rendimento não é a única queixa da categoria. Em Londrina, policiais são obrigados a comprar as algemas e a munição usadas durante o trabalho, segundo alguns investigadores, que pediram para não ter os nomes divulgados. Eles dizem ainda que têm que pagar o aluguel de estande específico para treinamento de tiro e até o papel higiênico dos distritos.
Os policiais reclamam ainda da falta de armamento e de combustível para viaturas. De acordo com os investigadores, há cerca de dois meses a Secretaria de Segurança do Estado enviou para Londrina dez pistolas novas para serem divididas entre 40 policiais. Quando chega material novo, explicaram, os delegados são atendidos em primeiro lugar.
Cada viatura, continuaram os investigadores, só pode gastar 15 litros de combustível por dia. Nos distritos, segundo eles, a situação é mais precária, com a cota de 20 litros a cada dois dias. ‘‘Muitas vezes temos que sair em diligência e não tem combustível no carro’’. A defasagem salarial, também é motivo de descontetamento por parte da categoria.
Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol), Ademilson Alves Batista, muitos computadores existentes nas delegacias foram adquiridos pelos próprios funcionários.
O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Leonyl Ribeiro, refutou as queixas. ‘‘São improcedentes’’. Segundo ele, somente na gestão do secretário de Segurança, José Tavares, foram gastos R$ 450 mil em munição e armas, que estão sendo ‘‘distribuídas gradativamente’’. As algemas, disse Ribeiro, são ‘‘baratinhas’’ e quando estão em falta o delegado deve solicitar. Quanto ao combustível, ele disse que a Polícia Civil de Londrina recebe 12,5 mil litros por mês, quantidade ‘‘mais que suficiente’’. Afirmou estar solidário com a reivindicação salarial da categoria, mas a lei impede que o governo atenda as exigências.
Segundo Ribeiro, uma ‘‘greve dos policiais não vai atingir o governo, e sim o povo, que paga os impostos’’. Na opinião dele, greve não tem poder de barganha com o governo.‘‘Se adiantasse alguma coisa os professores e funcionários das universidades tinham conseguido o que queriam.’’

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