O Ministério Público formalizou ontem denúncia contra quatro policiais civis de Foz do Iguaçu. Um grupo de nove promotores acusa quatro investigadores da 6ª Subdivisão Policial (SDP) dos crimes de concussão (extorsão efetuada por funcionário público), abuso de autoridade e condescendência criminal. Eles poderão ser condenados a até oito anos de prisão.
A denúncia foi entregue pelos promotores Renan Gabardo Fava e Acir Bueno de Camargo ao juiz da 1ª Vara Criminal do Fórum de Foz do Iguaçu, Ruy Mugiatti, que deve abrir o processo ainda este mês.
O episódio que gerou a denúncia ocorreu no último dia 7. Na versão do Ministério Público, o Corsa em que estavam os comerciantes Armindo Luiz Missau Filho e Dermival Alves de Assis foi abordado pelos investigadores Gilson Marciano de Oliveira, Sérgio Antônio Guerreiro e José Renato Ribeiro.
Os policiais - sem mandato judicial e sem qualquer indício para efetuar flagrante -, alegando atitude suspeita e que Missau Filho já teria passagem pela Polícia, exigiram que a dupla fosse à delegacia. Lá, segundo os comerciantes, os policiais exigiram R$ 4 mil para evitar que os dois (e o veículo) fossem averiguados. Diante da recusa, Missau Filho foi detido por quatro horas.
Novamente interrogado, o comerciante comprometeu-se a pagar o suborno, reduzido para R$ 500,00, três dias depois. No entanto, os policiais exigiram ‘‘como garantia’’ que Missau Filho deixasse o veículo e dois cheques que somavam R$ 14 mil. Outro investigador envolvido no caso, Ivan Tadeu Taverna, está sendo denunciado por condescendência criminal.
O delegado-chefe da 6ª SDP Luiz Carlos de Oliveira, disse à Folha que o caso já está em fase de investigação preliminar. ‘‘Vamos apurar os fatos e, se forem comprovadas as irregularidades, eles sofrerão punição administrativa’’, assegurou.
O delegado Andrei Renan Cordeiro, destacado para comandar as investigações, também foi denunciado este mês pela Promotoria. A acusação é de abuso de autoridade, ocorrido na prisão de um suposto evasor de divisas.
Outro processo semelhante, finalizado em fevereiro, resultou na condenação a quatro anos de prisão de dois policiais - Isaltino Zeni Santana e Mário Beraldo - que, em julho de 1997, extorquiram US$ 10 mil de um traficante.

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