Policiais de Campo Mourão fazem serviços burocráticos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de setembro de 2001
Sid Sauer<br> De Campo Mourão 
Soldados do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão estão fazendo serviços administrativos e burocráticos, como atender telefone e até mesmo a limpeza das salas, em vez de fazer o policiamento nas ruas da cidade. São 17 policiais desempenhando tarefas internas, o que equivale a cerca de 25% dos militares disponíveis, em cada turno.
O comandante do 11º BPM, major Nélson João Casarolli, diz que com exceção do serviço reservado (P2), que tem dois policiais, todas as demais atividades internas poderiam ser executadas por civis. ''Mas não temos esse pessoal'', argumenta. Casarolli informa que os 17 policiais fazem serviços para todo o batalhão e representam apenas 5% do efetivo total.
Segundo o comandante, a estrutura administrativa do batalhão de Campo Mourão é enxuta e hoje não há como tirar nenhum dos policiais dos serviços burocráticos para trabalho nas ruas. ''Temos bons homens aqui dentro, mas o batalhão precisa deles para funcionar'', afirma Casarolli.
Além do desperdício de manter atrás de um balcão um policial treinado para a segurança, o sistema custa caro para o Estado. Em Campo Mourão, uma telefonista pode ser contratada por R$ 250,00, três vezes menos que o salário de um soldado. O major Casarolli diz que pediu à prefeitura a cessão de uma telefonista e uma zeladora, mas não obteve sucesso. A prefeitura alegou que está em contenção de despesas e não pode ceder servidores a outros órgãos.
Dessa forma, o serviço de limpeza continua sendo executado por um soldado que trabalha à noite no quartel, o cafezinho é feito por outro policial responsável pela cozinha e até os serviços de office-boy dependem de um militar.


